Ocean Race: “Precisamos fazer de 2023 um ano de super-acção para acabar com a emergência oceânica” – SG da ONU

24/01/2023 19:23 - Modificado em 24/01/2023 19:23
© Sailing Energy / The Ocean Race

O secretário-geral das Nações Unidas defendeu no Mindelo, que é preciso fazer de 2023 um ano de “super-acção”, para acabar com a emergência oceânica “de uma vez por todas”.

António Guterres, que falava na cimeira que decorre no quadro da passagem da regata Ocean Race por São Vicente, avisou que alguns chamaram o ano de 2022 de “super-ano” do oceano, mas a corrida está longe de terminar.

Por isso, pediu uma efectiva implementação dos diversos instrumentos legais e políticos relacionados ao oceano, como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que completou 40 anos no ano passado e ainda do “muito esperado” acordo sobre a diversidade biológica marinha de áreas fora da jurisdição nacional, que cobrem mais de dois terços do oceano e, cujo último encontro global não conseguiu efectivar.

Para António Guterres também é preciso acções urgentes em quatro outras áreas fundamentais.

A primeira acção, elencou, é criar indústrias marítimas sustentáveis para acabar com a emergência oceânica adoptando práticas de pesca inteligentes e sustentáveis, incluindo aquicultura, para garantir uma forte indústria de frutos do mar no futuro.

“Significa administrar e regular cuidadosamente o desenvolvimento e a extracção de recursos, com precaução, protecção e conservação no centro de todas as actividades. Significa a redução e prevenção da poluição marinha de fontes terrestres e marítimas e significa parceiros públicos e privados investindo em conjunto na restauração e conservação dos ecossistemas costeiros, como manguezais, pântanos e recifes de corais”, exemplificou, aconselhando os países a “imitar Cabo Verde, cujas ambições de conservação e protecção marinha estão firmemente incorporadas na estratégia nacional de desenvolvimento sustentável, Ambição 2030.

A segunda acção, continuou, é dar apoio maciço aos países em desenvolvimento que vivem “com os primeiros e piores impactos” da degradação do clima e do oceano.

Isto porque, explicou, os países em desenvolvimento, e particularmente os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, são vítimas de um sistema financeiro global projectado pelos países ricos em benefício próprio, porque os ricos estes negam aos países vulneráveis, de renda baixa e Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, tais como Cabo Verde, os níveis de financiamento concessional e alívio da dívida que seriam necessários para enfrentar as mudanças climáticas.

“Continuarei instando os líderes e as instituições financeiras internacionais a unirem forças e desenvolverem formas criativas de garantir que os países em desenvolvimento possam ter acesso ao alívio da dívida e ao financiamento concessional quando mais precisarem”, garantiu António Guterres, que também prometeu continuar a pressionar por um Pacote de Estímulo Objectivo do Desenvolvimento Sustentável(ODS) para ajudar os Governos do Sul Global (países em desenvolvimento no mundo) a investir em sistemas que apoiem o desenvolvimento e a resiliência.

Segundo a mesma fonte, a terceira etapa para acabar com a emergência oceânica significa vencer a corrida contra as mudanças climáticas. Mas, conforme António Guterres, num momento em que a humanidade deveria reduzir a emissão de gases de efeito estufa, para garantir o futuro no planeta, está-se prestes a ultrapassar o limite de 1,5 graus de emissão exigidos para que se possa ter um futuro habitável.

Uma das ideias que apresentou para a redução de emissão dos gases é a necessidade do sector de navegação comprometer-se com zero emissões líquidas até 2050 e apresentar planos confiáveis para implementar tal compromisso.

“Fiquei muito feliz em saber que existe um programa sólido em Cabo Verde em relação à redução de emissões nas actividades portuárias, que também é extremamente relevante”, exemplificou o SG das Nações Unidas, indicando que a quarta acção, para acabar com a emergência oceânica, é implantar ciência, tecnologia e inovação numa escala sem precedentes.

“Estamos agora no terceiro ano da Década das Nações Unidas para a Ciência Oceânica. Até 2030, devemos ter alcançado nossa meta de mapear 80 por cento (%) do fundo do mar. Devemos ver novas parcerias entre pesquisadores, governos e o sector privado para apoiar a pesquisa oceânica e o planeamento e gestão sustentável dos oceanos”, sugeriu, pedindo ainda investimentos em infraestrutura costeira de última geração e resiliente ao clima e capazes de garantir a cobertura universal do sistema de alerta precoce global nos próximos cinco anos para proteger as comunidades costeiras.

Lusa

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