Governo com parecer negativo quanto à continuidade das medidas de compensação para driblar o preço do trigo

16/01/2023 18:01 - Modificado em 16/01/2023 18:01

O Governo admitiu hoje que é “deveras preocupante” a situação do aumento do preço do trigo, avançando que um parecer do Secretariado Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional não recomenda a continuidade da compensação devido a avultados custos.

A declaração foi feita pelo ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, à margem da cerimónia de entrega de 1.455 toneladas de arroz pela embaixada do Japão, quando confrontado pela comunicação social sobre a continuação ou não do subsídio do Governo à única empresa que faz importação do trigo (Moave).

O governante considerou que a situação é “deveras preocupante”, mas, frisou que os preços aumentaram a nível internacional, lembrando, por outro lado, que a crise ainda continua.

“O Governo até hoje gastou com a política de compensação financeira cerca de 151 mil contos, vamos continuar a subsidiar por mais três meses o milho, tendo em consideração também a preparação do novo ciclo de produção a nível da pecuária”, disse.

Entretanto, segundo Gilberto Silva, no que tange ao trigo há um parecer do Secretariado Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional que não recomenda a continuidade, tendo em conta o prolongamento da situação internacional e dos custos.

“Só para, por exemplo, mais três meses desta compensação o Governo estaria a gastar mais 56 mil contos, são recursos muito avultados”, sublinhou, afirmando que entende aquele secretariado nacional que se deve neste sentido reforçar as outras medidas “bastante eficazes”.

De entre as medidas, indicou o apoio às cantinas escolares, a assistência alimentar às famílias bem como o emprego público que permitirá às famílias trabalharem e obterem rendimentos que os permitirá aceder aos bens alimentares.

Reconheceu que o preço do trigo se mantém elevado, mas assegurou que a tendência é para a sua diminuição no mercado internacional, tendo reforçado que estas medidas de compensação de acordo com a lei cabo-verdiana não podem perdurar no tempo porque constituem também uma perturbação ao funcionamento do mercado.

“Daí que perante este parecer e perante a situação, o Governo vai analisar e vai continuar atento e ver as necessidades. Vejam que no quadro da aprovação das medidas de mitigação dos efeitos da crise o Governo abriu-se no sentido de regularmente analisar a situação global e tomar as medidas que se impõe demonstrando claramente alguma flexibilidade”, salientou.

Além disso, declarou que a compensação dos preços dos produtos não é uma medida frequente nos demais países do mundo que tentam evitá-la, tendo em conta que “perturba de certa forma o bom funcionamento do mercado”.

Cabo Verde por ser um país receptáculo, conforme o ministro, vem implementando de forma muito excepcional, mas, segundo reforçou, não pode continuar com estas medidas no tempo, tendo em conta a perturbação do mercado, e os custos elevados que acarretam.

Inforpress

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