UCID alerta Governo para problema social decorrente do aumento em 60% do preço da farinha de trigo

12/01/2023 17:46 - Modificado em 12/01/2023 17:46
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O deputado da União Cabo-verdiana Independente Democrática (UCID) António Monteiro alertou hoje o Governo para o problema social que poderá resultar do aumento em 60% do preço da farinha de trigo e consequente aumento do preço do pão.

Durante uma declaração política, o democrata cristão manifestou-se “extremamente preocupado” com a situação, pediu ao Governo que tome as medidas para estancar os preços não só da farinha como de outros produtos, como do leite.

Conforme indicou, um saco de farinha de 50 quilogramas que antes estava a ser comercializado por 2.890 escudos passou a ser comercializado por 4.600. Com esse aumento as padarias já anunciaram aumento dos preços do pão que poderá chegar até aos 25 escudos por pão de carcaça.

Em consequência prevê que as famílias poderão deixar de comprar o pão levando ao encerramento das padarias e consequentemente ao desemprego de centenas e mais centenas de trabalhadores.

Por isso mesmo, salientou António Monteiro, o Governo precisa agir para evitar a complicação da situação social em Cabo Verde, já que se encontra num nível “preocupante”.

“Daí que nós queremos pedir ao Governo com esta declaração política para conter o preço da farinha de trigo, para conter o preço dos outros produtos, nomeadamente o leite cujo preço aumentou em quase 100%. Precisamos sem sombra de dúvida que o Governo analise friamente esta situação e tome as medidas que são necessárias neste momento”, sublinhou.

António Monteiro considera que o país está em condições de agir para impedir a continuidade desse aumento de preço da farinha de trigo, uma vez que, conforme informações veiculadas esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o Produto Interno Bruto de 2022 cresceu entre 10 a 15%.

“Dá-nos o conforto de saber que o país em 2022 teve um crescimento bastante aceitável e se teve esse crescimento bastante aceitável significa dizer que o país reunirá as condições para que realmente possamos agir para impedir esse aumento do preço da farinha de trigo e seus impactos na vida das pessoas”, disse.

Ao reagir à declaração política da UCID, o deputado do PAICV, João do Carmo, afirmou que o aumento do preço da farinha se deveu essencialmente à retirada da subsidiação do Governo à única empresa que faz importação do trigo.

Uma subsidiação que, conforme adiantou, vinha de algum tempo com uma perspectiva eleitoralista só para conquistar a confiança dos cabo-verdianos.

“O Governo subsidiava este produto porque sabia que precisava do apoio do povo nas últimas eleições, acaba de ganhar as eleições e em 2023 retira o subsídio a um produto provavelmente dos mais essenciais ao povo de Cabo Verde”, acrescentou.

Segundo João do Carmo, com a retirada desse subsídio, o Governo dá “claramente sinais” de não ter rosto social, de não pensar nas pessoas, sobretudo, as mais pobres, colocando em causa o equilíbrio social das famílias cabo-verdianas.

“Esta decisão do Governo põe em causa a situação social do país, no momento em que em todos os países, todos os governos de países sérios tomam decisão de protecção das famílias”, disse, afirmando igualmente que o arquipélago está em condições de continuar a garantir protecção ao seu povo.

Ao intervir, o deputado Celso Ribeiro, do Movimento para a Democracia (MpD), partido que sustenta o Governo, confirmou que de facto nos últimos dois anos o executivo tem subsidiado a importação com um custo trimestral a chegar a 49 mil contos, valor que considera “insuportável”.

No entanto, Celso Ribeiro associou a sua voz à da UCID, alertando ao Governo que analise essa situação da farinha de trigo, como tem analisado pontualmente com o caso dos combustíveis.

“A política de subsidiação particularmente nesta conjuntura não é suportável, mas estamos cientes de que de facto o Governo vai actuar por forma a continuar a proteger as famílias e dar rendimento aos mais necessitados”, garantiu.

Inforpress/fim

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