COP15: Proteção da biodiversidade entre esperança em acordo e risco de fracasso

5/12/2022 02:01 - Modificado em 5/12/2022 02:01
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Acordo histórico ou fracasso podem acontecer na 15.ª conferência da ONU sobre biodiversidade (COP15) que começa na quarta-feira em Montreal, Canadá, para discutir a proteção de 30% do planeta, mas sem líderes políticos, o que faz desconfiar dos observadores.
Entre as 22 principais metas em discussão está a proteção de 30% do planeta, no mar e em terra, até 2030, uma marca que ambientalistas consideram fundamental, com alguns a considerarem que a conferência (COP15), pode ser para a biodiversidade o marco fundamental que o Acordo de Paris, em 2015, foi para a luta contra o aquecimento global.
Outros ambientalistas temem que o anúncio da secretária-executiva da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), de que nenhum chefe de Estado ou de Governo participará na COP15 possa levar ao completo fracasso do encontro, que termina em 19 de dezembro.
A CDB das Nações Unidas foi assinada por 150 líderes mundiais em 1992 no Rio de Janeiro, na Cimeira da Terra, com o objetivo de proteger a natureza, o seu uso sustentável e a partilha justa de benefícios.
Desde então realizaram-se 14 Conferências das Partes (COP), o órgão da Convenção que toma decisões periodicamente. A COP15 dividiu-se em duas partes, com uma primeira realizada no ano passado em Kunming, na China. Os trabalhos que juntam agora quase 200 países em Montreal ditarão o sucesso ou o fracasso da defesa da biodiversidade, que estudos indicam que está em queda acentuada desde a década de 1970.
A responsável máxima da CDB desde 2020, a tanzaniana Elizabeth Maruma Mrema, disse em conferência de imprensa em novembro que nenhum líder mundial iria participar na COP15, que é por norma realizada a nível de ministros, e afirmou-se esperançada na adoção durante a conferência de um quadro global de proteção da biodiversidade pós-2020, com uma estratégia e um roteiro global de conservação, proteção, restauração e gestão sustentável.
Para justificar o otimismo, a responsável lembrou que na Declaração de Kunming ficou claro o empenho dos países na adoção desse quadro para 2030.
Na sequência das declarações de Elizabeth Maruma Mrema, um grupo de antigos governantes de todo o mundo pediu, num comunicado, a presença de chefes de Estado na COP15 e considerou “muito preocupante” a ausência.
Organizações internacionais têm avisado que cerca de um milhão de espécies animais e vegetais podem estar em risco de extinção com a continuação da destruição dos ecossistemas e sem medidas para travar o declínio da natureza.
Em outubro de 2021, no final da primeira parte da COP15 em Kunming, a China prometeu empenho na proteção da natureza, os países no geral comprometeram-se em reforçar as leis ambientais nacionais, e houve promessas de financiamento da biodiversidade mundial e reconhecimento da relação entre perda de biodiversidade, degradação do solo, desertificação, poluição oceânica e aquecimento global.
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