Cabo Verde Interilhas em crise: Empresa considera que o preço da passagem de barco deveria ser pelo menos 1000 escudos

15/11/2022 00:39 - Modificado em 15/11/2022 00:39


Há três anos a operar em Cabo Verde, a administração da Cabo Verde Interilhas (CVI) levanta o pano sobre os principais desafios que a empresa teve desde que chegou a Cabo Verde. Em entrevista ao Expresso das Ilhas, o presidente do conselho de administração da empresa (não executivo) e vice-presidente do grupo ETE, Jorge Maurício, diz que desde que a CVI entrou no país enfrenta dificuldades.

“Nos três anos, vivemos em crises sucessivas, primeiro a pandemia, a seca persistente e, nestes últimos oito meses, a crise grave provocada pela guerra, com efeitos no custo dos combustíveis, o que afecta directamente os transportes e, neste caso, o transporte marítimo. A CVI tem feito um percurso positivo. Se me perguntar se está tudo bem, eu direi claramente que não. Há margem para melhorar todos os dias”, referiu na entrevista.

Além disso, Jorge Mauricio bate ainda noutro ponto, que é a rentabilidade das rotas. Segundo o gestor, as rotas não são rentáveis.

“As rotas não são rentáveis, porque tens o contrato e tens que o cumprir todos os dias, quer haja passageiros ou não”, explicou Mauricio.

Disse ainda que a São Vicente-Santo Antão é a rota mais equilibrada, neste momento, mas “poderia ser ainda melhor”, e as restantes são deficitárias.

Neste sentido defende que a passagem deveria ser 1.000 escudos, ou um pouco acima dos 1.000 escudos. “Era normal e suportável. Convenhamos, 800 escudos não é propriamente um valor compatível com o serviço que se presta”, reiterou.

Jorge Maurício, que é também vice-presidente do grupo ETE, avançou que os problemas são essencialmente de ordem financeira.

“Temos de falar muito claro aos cabo-verdianos. É impossível estarmos em todos os lados, todos os dias, mas temos um modelo operacional que já foi testado, funciona bem, com algumas ressalvas. Como é óbvio, quando há uma avaria técnica, isso ultrapassa as pessoas, a gestão e o sistema e isso acaba por trazer alguma dificuldade. O desequilíbrio económico-financeiro da concessão é o ponto-chave”.

As coisas complicam ainda mais, com o aumento mensal dos combustíveis. “Para termos uma noção da ordem de grandeza dos números, em 2022, com o aumento dos preços, vamos gastar mais de 500 mil contos só em combustíveis”, evidenciou.

Em relação aos navios, Chiquinho BL e Dona Tututa, que são propriedade do grupo ETE e não CVI, explicou que isso deve-se ao facto da CVI ser uma empresa nova, com uma composição accionista onde 51% do capital pertence ao Grupo ETE e 49% a armadores cabo-verdianos.

“A CVI não tem tido capacidade financeira para adquirir navios. O Grupo ETE fez um grande trabalho e prestou um grande serviço a Cabo Verde quando foi ao banco, pediu financiamento, comprou navios e os afectou à concessão”, sustentou durante a entrevista ao Expresso das Ilhas.

E que apesar de parecer que o grupo está a ganhar dinheiro com esse negócio, é claro quando afirma que o Grupo ETE, nem sequer está a receber, neste momento, os valores devidos dos afretamentos.

“A CVI não está a pagar a quase nenhum fornecedor. Isto é crítico. Se os navios não fossem do Grupo ETE ainda estariam em Cabo Verde? Se fosse outro fornecedor, já não estavam”, escreveu o Expresso das Ilhas, citando Jorge Mauricio.

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