Escudo digital uma realidade em 2023 – Administradora do BCV

15/11/2022 00:21 - Modificado em 15/11/2022 00:22


Cabo Verde deverá contar com a sua moeda digital (escudo digital) já em 2023, conforme previsão do Banco de Cabo Verde (BCV), que, entretanto, aguarda a revisão da lei orgânica para alargar a sua competência para esse segmento.

A informação foi avançada hoje pela administradora do BCV, Antónia Lopes, na sequência da realização, na cidade da Praia, do IX Encontro de Sistema de Pagamentos dos Bancos Centrais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que tem como tema “Desafios da transformação digital no sector de Pagamentos”.

A representante do BCV adiantou que a moeda digital está no plano estratégico do Banco Central de 2021/24, estando neste momento em curso estudos para analisar os impactos em termos de política monetária, as vantagens e os riscos que também traz para o sector financeiro, para estabilidade do sistema financeiro, analisar os tipos de moeda e a questão do limite para o anonimato.

“Como sabem, uma das características da moeda física é anonimato. Com a moeda digital haverá algum rastreamento e sobretudo os riscos associados que a inovação digital traz. Temos que analisar tudo isto e estamos em estudos. A nova lei orgânica irá permitir ao Banco de Cabo Verde a emissão desse tipo de moeda, a moeda digital, e esperemos que com aprovação estaremos em condições de emitir”, explicou.

Antónia Lopes frisou que as moedas digitais dos bancos centrais, bem como outras inovações digitais do sistema de pagamentos, como o pagamento instantâneo são iniciativas inovadoras a nível dos sistemas de pagamentos que permitem diversas vantagens e a inclusão financeira, mas alerta para os riscos.

“Os desafios que impõe para o regulador é o de adequação da regulação para permitir a entrada não só de novos players, mas também para acautelar os riscos, sobretudo, riscos cibernéticos”, alertou.
Neste sentido defende que há que acautelar todas essas situações, ajustar a regulamentação, permitindo que essa inovação resulte em desenvolvimento a nível dos sistemas financeiros, em particular do sector de pagamentos, mas também de acautelar em termos de controlo interno todos esses riscos inerentes a esses desafios.

A questão da lavagem de capitais e do combate ao financiamento do terrorismo é outro aspecto ao qual deve ser dado atenção, realça a administradora do BCV.

Os encontros de Sistema de Pagamentos da CPLP têm se revelado, ao longo dos anos, espaços de debate e partilha de ideias e conhecimentos, bem como de troca de experiências, sobre os diferentes estados de desenvolvimento dos pagamentos, nas suas variadas vertentes.

O último encontro tinha sido realizado em Angola, em 2018, e desde então os serviços de pagamento sofreram várias transformações, impactados pelos desenvolvimentos tecnológicos, os quais também a pandemia da covid-19 veio impulsionar, a partir de 2020, colocando desafios diversos à comunidade financeira, incluindo as autoridades de regulação, supervisão e superintendência, em vários domínios.

Por isso, neste IX Encontro propõe-se um olhar atento ao impacto que a inovação digital está a ter nos Sistemas de Pagamento dos Países da CPLP, para uma partilha de ideias e experiências sobre as estratégias que cada país tem seguido no sentido de potenciar o desenvolvimento e a modernização do Sistema de Pagamentos ao serviço da economia.

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