São Vicente/Ténis, “parente pobre” do desporto: treinadores tentam resgatar esta modalidade

13/11/2022 20:49 - Modificado em 13/11/2022 20:52
Eduino Santos Oliveira “Didi” e Luís Ramos Melo “Lulu”

Luís Ramos Melo “Lulu” e Eduino Santos Oliveira “Didi” consideram-se dinamizadores do ténis em São Vicente, onde deram os primeiros saques. Ambos têm as suas respectivas escolas de iniciação desportiva que vem acolhendo vários escalões da modalidade, com o objetivo de apostarem nos mais jovens, já que acreditam que a ilha tem grandes talentos no ténis. No entanto, lamentam o fato de a Federação Cabo-verdiana da modalidade estar de mãos atadas.

O jovem treinador e atleta, Eduino Oliveira acredita que para alavancar o ténis para outro nível tem que haver “mais apoios e uma federação mais ativa”. “No trabalho que eu e Lulu estamos a fazer temos muitos jovens com talento. Mas só torneios na ilha e às vezes em outras ilhas e não levar os atletas para participarem em competições fora do país é insuficiente”, disse Oliveira que não vê grandes custos em levar dois ou três atletas para competições no exterior, quando comparado com outras modalidades.

Por isso, avançou, que o ténis deveria ter uma atenção mais específica porque acredita nos talentos locais, mas alertou para esse tratamento diferenciado. Eduino Oliveira afirmou que se não houver este incentivo, muitos atletas do ténis vão migrar para outras modalidades.

“Infelizmente, não se consegue viver do ténis em São Vicente”, disse “Didi” destacando que muitos cabo-verdianos na diáspora têm apoiado as atividades dos dois treinadores, através de doações de materiais para a prática da modalidade.

Já Lulu, que é antigo treinador do Didi, acredita que ambos têm criado um certo dinamismo na ilha, mas, sublinhou, “é preciso ter mais competições”. “Há três anos que não temos competições regionais e nacionais. E o que temos feito na ilha são pequenos torneios para incentivar os nossos atletas”, apontou.

Lulu e Didi, cada um tem apostado na realização de pequenos torneios e também na junção das atividades, incluindo intercâmbios.

“O objetivo neste momento é fazer uma calendarização de torneios para manter os atletas mais ativos para subirem o nível e para se sentirem mais motivados”, justificou Didi.

No âmbito do Dia Nacional do Desporto Cabo-verdiano, Eduino Oliveira e alguns atletas desta modalidade promoveram um intercâmbio de três dias em São Vicente para celebrar a efeméride. Esta iniciativa é também uma experiência que quer abranger as restantes ilhas, onde há  prática do ténis.  

Precisa-se de uma federação ativa

Ambos os treinadores asseguram que têm estado a fazer o que podem e muitas das vezes sem apoio.   Lulu lembrou que há muitos anos Cabo Verde participava nas competições da Confederação Africana de Ténis (CAT), considerando tempos de muita atividade.

Este desportista afirmou que a Federação Cabo-Verdiana de Ténis “é das piores que apareceu em Cabo Verde”, justificando que desde que a pandemia se iniciou, até hoje nenhuma informação sobre a retoma do Campeonato Nacional de ténis foi avançada.

“Esta modalidade já foi ativa e havia mais saída para outros países, havia o torneio da zona II, muitos municípios faziam as suas atividades, pois havia mais apoios”, lembrou.

Em 9 ilhas habitadas, somente 4 (Santo Antão, São Vicente, Sal e Santiago) têm a prática desta modalidade, situação que consideram “lamentavel”.

Os treinadores apostam na criação de vários escalões, nomeadamente escalões sub-12, sub-14, sub-16 e sub-18.

Ambos continuam a insistir e a persistir porque “a paixão pela modalidade é maior, assim como acreditar nos talentos da ilha”.

“Vivi o tênis em outros tempos e esta é uma forma deles também ganharem o gosto por esta modalidade e não deixá-la morrer”, finalizou Lulu.

AC – Estagiária

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