Presidente de Cabo Verde assinala primeiro ano de mandato com críticas e alerta para a necessidade de consensos entre os partidos

12/11/2022 00:45 - Modificado em 12/11/2022 00:45


O presidente da República cabo-verdiana, José Maria Neves, criticou hoje a “crispação” que permanece na política nacional, alertou que os tempos atuais “exigem consensos” e avisou que não é oposição, mas também não é “claque” do Governo.

José Maria Neves falava numa conferência de imprensa a partir do Palácio Presidencial, na Praia, para assinalar o primeiro ano do seu mandato como chefe de Estado.

“Fazemos política ainda de forma muito primária, o debate é muito raso, é muito fulanizado e muitas vezes é um debate desrespeitoso. Desde logo temos de tomar algumas lições de elegância. A política também exige boa educação”, afirmou.

Neves garante que tem procurado exercer uma magistratura de influência “colaborativa, estratégica e positiva”, agindo no sentido do “reforço da confiança mútua entre os atores políticos, da promoção do diálogo e de entendimentos entre os principais atores políticos, da busca de consensos sobre os principais assuntos da República”. apontou José Maria Neves.


O também antigo primeiro-ministro pelo PAICV – atualmente oposição ao Governo liderado pelo MpD -, afirmou que é necessário “persistir” nos entendimentos: “Continuar a trabalhar com paciência, pacificar os espíritos, naturalizar os antagonismos e construir pontes e entendimentos. Os tempos exigem consensos sobre as principais questões nacionais. É meu dever continuar a agir decididamente para realizar esse objetivo”.

Acrescentou que a pandemia da covid-19, as secas prolongadas e o aumento do preço dos produtos alimentares e da energia “têm tido reflexos muito negativos na dinâmica política e de desenvolvimento” em Cabo Verde, e que se “constata o aumento do desemprego, da pobreza e das desigualdades”, para sublinhar a necessidade de alcançar entendimentos.

Contudo, admitiu que “há ainda algum primarismo na forma de fazer política”, num país bipolarizado entre PAICV e MpD, que se alternam no poder.

Na intervenção, recordou que já exerceu, no primeiro ano, “os fundamentos dos poderes do Presidente”, nomeando o novo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, membros do Governo, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça e , visitou as três regiões militares e reuni o Conselho Superior de Defesa Nacional. Nomeei, promulgou e vetou leis, ratificou tratados e acordos internacionais, entre outras responsabilidades.

Recusou por isso que tenha sido “brando” com o Governo no primeiro ano de mandato, mas sim “sereno” e a procurar “equilíbrios”.

O chefe de Estado referiu ainda que “é importante que o Presidente da República tenha cabeça fria, tenha paciência de pescador para ajudar o país a encontrar as melhores respostas para a situação extremamente difícil” que atravessa.

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) cabo-verdiana proclamou José Maria Neves vencedor das sétimas eleições presidenciais de Cabo Verde, realizadas em 17 de outubro de 2021, logo à primeira volta e entre sete candidatos, com 95.974 votos, equivalente a 51,7%, à frente do também antigo primeiro-ministro Carlos Veiga, com 78.612 votos (42,4%).

NN/LUSA

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