África CDC em negociações para acesso às vacinas contra a Monkeypox

27/10/2022 19:24 - Modificado em 27/10/2022 19:29
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Os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC) estão na fase final das negociações para que o continente receba vacinas para prevenir o vírus Monkeypox, anunciou hoje a agência da União Africana (UA).

“As negociações são com parceiros que têm uma reserva e estamos a negociar o acesso a essa reserva para que possamos utilizar as vacinas no continente”, disse Ahmed Ogwell, diretor interino do África CDC, numa conferência de imprensa virtual.

Ogwell esclareceu que o acordo não é para comprar os fármacos, mas para ter acesso às doses armazenadas, contudo não revelou quem é o parceiro ou quantas unidades esperam receber, enquanto se aguarda pelo fim das conversações.

“Esperamos concluir as negociações nos próximos dias. Precisamos distribuir imediatamente entre 80.000 e 100.000 doses”, acrescentou. 

Países desenvolvidos como os Estados Unidos da América (EUA) e os membros da União Europeia (UE) têm vindo a adquirir as vacinas até agora recomendadas para imunizar contra a também conhecida como varíola dos macacos, que foi declarada uma emergência sanitária internacional, em julho, pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Estas incluem a vacina Imnavex, autorizada pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA – onde é comercializada sob o nome de Jynneos – contra a varíola e a Monkeypox.

Existe também a vacina Acam2000, aprovada pela FDA contra a varíola. Ogwell advertiu em julho, que as razões pelas quais estes medicamentos ainda não chegaram a África “são as mesmas razões que explicam o atraso na obtenção de vacinas da covid-19 ou tratamento do HIV há cerca de 20 anos”: a propriedade intelectual destes produtos e a falta de fundos para os adquirir.

“[As vacinas] estão nas mãos daqueles que têm mais capacidade ou onde esses produtos estão a ser fabricados”, alertou, referindo-se ao monopólio de vacinas contra a covid-19 detido pelos países mais ricos durante o primeiro ano de pandemia.

Uma situação que se traduziu num atraso considerável de África no acesso aos medicamentos em relação às nações do norte global.

Outro agravante para as nações africanas foram as patentes, que as empresas farmacêuticas se recusaram a divulgar, bem como a baixa capacidade do setor de produção de vacinas do continente, que importa 99% das vacinas que consome.

Desde o início do ano, foram registados cerca de 6.890 casos de Monkeypox em 13 países africanos – embora a grande maioria seja provável e não confirmada devido à falta inicial de laboratórios com formação – e 173 mortes, deixando uma taxa de mortalidade de 2,5%, de acordo com o África CDC.

Por outro lado, todos os países onde a doença é endémica são africanos: Benim, Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Gabão, Costa do Marfim, Libéria, Nigéria, República do Congo, Serra Leoa, Sudão do Sul e Gana (locais onde só foi identificada em animais).

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