São Vicente: Jovem acusa seguradora de negar “cobrir” conserto do carro após acidente de viação

25/10/2022 00:14 - Modificado em 25/10/2022 00:17
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Um acidente de viação, ocorrido no mês de Fevereiro, deste ano, está na causa de uma contenda entre a jovem Laís Ferreira e a Garantia Seguros, que conforme a jovem negou-se a cobrir o seguro do acidente, que foi vítima.

Segundo Laís Ferreira, no dia 15 de Fevereiro um carro bateu na roda traseira direita do seu carro, que perdeu a direção e foi bater numa árvore na Avenida Marginal.

Afirma que a responsável pelo acidente, uma mulher, não prestou socorro e fugiu do local, deixando dois dos três ocupantes bastante feridos. A mãe, que conduzia, sofreu alguns traumas no rosto, tendo sido submetida a uma cirurgia de reconstrução do nariz, na boca e na testa. E uma outra ocupante, uma professora amiga da mãe, ficou com uma perna em estado grave.

“A senhora teve uma fratura exposta grave e como tinha outras complicações, como anemia acabou por ficar mais tempo no hospital”.

Laís Ferreira optou por trazer o caso a opinião publica para expôr a situação, que diz-se duplamente prejudica. Primeiro, porque a seguradora negou-se a cobrir o seguro do acidente, atribuindo-lhe toda a culpa do acidente e segundo porque após ir ao Tribunal da Comarca de São Vicente, onde decorre o processo, recebeu a notícia que o caso, contra a responsável, que diz ter causado o acidente, ainda está parado.

“Ela é uma figura conhecida da sociedade, de uma família conhecida. Por isso que a situação está como está. Ela fugiu do local, estava sem seguro”, apontou.

O acidente

No carro, conforme a nossa entrevistada, seguiam três pessoas. Ela, dona da viatura, a mãe que ia conduzindo e uma amiga da mãe. Uma professora que seguia no banco de trás.

“Felizmente o meu filho de três anos, não estava connosco no momento, porque não sei o que teria acontecido com ele”, começa a explicar a jovem que diz ter adquirido a viatura recentemente e que ainda estava a pagar, porque como tem um filho pequeno, precisa deslocar-se pela ilha.

Na estrada, na Avenida Marginal. prosseguiu, seguiam no sentido Chã de Alecrim/cidade, perto do restaurante Dokas, numa velocidade moderada, quando outra viatura bateu na roda traseira direita, duas vezes.

“Despistamos e batemos numa das árvores nos canteiros. Seguíamos no lado esquerdo, já que na outra faixa, seguia um autocarro à nossa frente”, explicou. “Seguimos lento, porque a minha mãe não gosta de velocidade e quando ia sugerir para ir mais rápido, porque tinha trabalho, sentimos a primeira batida. E logo de seguida uma segunda, mas não tivemos tempo de reagir e fomos bater numa arvore”, acrescentou.

Com o choque, conta que a pessoa que seguia no banco traseiro ficou com uma perna presa no carro e sofreu uma fratura exposta grave do tornozelo para cima.

“Ela passou um mês no hospital e três em casa, porque não estava recuperada. Ou seja, ficou quatro meses sem receber, porque eu tinha o seguro normal”.

Por estar no banco de passageiros, Laís Ferreira diz que com o choque, bateu com a cabeça no para-brisas, que acabou por quebrar. “Se o meu filho estivesse dentro do carro, uma tragédia poderia ter acontecido”, considerou a jovem, que nem sequer cogitou a possibilidade

Responsabilidades

Diz que a pessoa que provocou o acidente, nem sequer parou para prestar assistência. “Se fosse numa estrada afastada, a senhora que ia no banco traseiro poderia ter morrido, já que não conseguia encontrar os telemóveis para pedir ajuda”.

Felizmente, pessoas que estavam perto acabaram por pedir ajuda e foram assistidas pela ambulância. “Fomos atendidas no Hospital Baptista de Sousa e no dia seguinte fomos para a Policia, com o folheto emitido pelo medico”, acrescentou.

Aqui, diz que as coisas começaram a complicar-se para seu lado. É que segundo Lais Ferreira, na esquadra da Polícia Nacional, recebeu por duas vezes a matrícula errada, antes de conseguir a certa.”O acidente foi mesmo embaixo de uma câmara de vigilancia”, salientou.

E que depois das tentativas, mesmo tendo sido vítima do acidente, começou a ser acusada pelo agente que atendeu.

Na esquadra descobriu que a mulher não tinha seguro, antes do acidente e que fez o seguro, logo após o acidente.

“Saiu do acidente diretamente para Garantia”, frisou a jovem que diz que na seguradora foi pior ainda. “A advogada foi mal educada. Primeiro acusou-me de falta de experiência, sem antes conhecer a história. Quando soube que era a minha mãe que conduzia, apontou pela antiguidade da carta”.

Pede Justiça

Indignada pela forma como estava a ser tratada, já que era a vítima e não culpada, chamou a atenção para as questões legais e de direito.

“Para a minha surpresa a Garantia, começou a falar de 50/50 para a cobertura dos estragos que sofremos”, explicou.

“Alguns dias depois recebi uma comunicação onde atribuíram-me 100% da culpa, alegando que viram numa câmara de vigilância que, embora bateram em nós, numa estrada com duas faixas, a roda do meu carro estava no eixo da via, mesmo ela ter batido na roda traseira”.

Com esta decisão, diz que todas as despesas ficam por sua conta. “As despesas médicas de todos e do conserto do carro. Estimaram mais de 500 mil escudos para conserto, sendo que estava a terminar de pagar a compra do veículo. Estou a arcar com todas as despesas”.

Com toda a situação, após ter descoberto a identidade da condutora, meteu o caso no tribunal. “Fui atrás dos meus direitos. A pessoa bateu e fugiu do local. Sinto que durante todo este tempo ela está sendo protegida, já que ela é uma pessoa bem conhecida na nossa sociedade e é diretora de Recursos Humanos de uma grande empresa na ilha. Percebendo que o processo está parado no tribunal e que a responsável pelo acidente não foi sequer notificada, deslocou-se ao tribunal para obter informações.

“Já se passaram vários meses. Pela lei, abandonar o local de um acidente é crime, ainda mais se for a responsável. Por mim a senhora iria para a cadeia”.

Alega que a causadora do acidente nunca arcou com nenhuma responsabilidade. “Intentamos um processo contra ela, mas nos disseram que temos que submeter um documento pedindo o andamento do caso”, criticou.

Em relação às supostas imagens das câmeras de vigilância, diz que até ao momento nunca vislumbrou nenhuma imagem. “Contactei um advogado, pedimos as imagens, disseram que o tribunal é que deve pedir, mas o tribunal não faz nada”.

Para garantir que estas imagens sejam usadas em tribunal, diz que enviaram um requerimento ao tribunal pedindo a salvaguarda das imagens que, acredita, vão esclarecer toda a situação.

EC

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