Um terço dos cabo-verdianos não têm uma dieta saudável, mas não há fome – FAO

14/10/2022 23:21 - Modificado em 14/10/2022 23:21
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As sucessivas crises que têm atingido Cabo Verde, da seca prolongada à pandemia ou ao aumento dos preços, não provocaram fome extrema, mas um terço da população não tem uma dieta saudável, afirmou a representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em Cabo Verde.

“Não, fome, pelo menos os nossos dados não falam nisso. Mas sim, há 100 mil pessoas que estão numa condição de maior vulnerabilidade, que são as que estão a receber alimentos”, disse Ana Touza.

Esta representante falava a margem de uma conferência realizada na Praia para assinalar o dia mundial da Alimentação (16 de outubro).”Há um número reduzido, não de fome extrema, mas de alta vulnerabilidade”, acrescentou.

Os 100 mil cabo-verdianos (um terço da população) que a FAO identifica em situação de vulnerabilidade são pessoas sem trabalho ou acesso a rendimentos, que recebem apoio em alimentos, mas a organização estima ainda que, globalmente, um terço dos cerca de 490 mil habitantes do arquipélago não têm uma dieta saudável diariamente.

Esta responsavel defeniu como dieta saudável é uma dieta equilibrada, com todos os nutrientes, mas que infelizmente esta fração  da população em fazer todas as refeições por dia “ou estão a comer mais cereais do que outros produtos mais nutritivos”.

A FAO, que a 16 de outubro assinala 77 anos de existência, tem em curso vários projetos de reforço da segurança alimentar no arquipélago.  

Ana Touza apontou que apesar de Cabo Verde ter uma “agricultura pequena”, produz “alimentos nutritivos e que estão disponíveis”.”Mas sempre há vulnerabilidade pela importação de alimentos, num contexto em que os preços estão a aumentar, continuam a aumentar”, destacou.

No contexto regional, o caso de Cabo Verde, fortemente afetado por mais de quatro anos de seca severa, pelos efeitos da pandemia de covid-19 no turismo — que representa 25% do Produto Interno Bruto — e pela atual crise de preços, quando importa cerca de 80% dos alimentos que consome, é “extraordinário”, enfatizou Ana Touza.

“Mas também é importante dizer que o Governo, o Ministério da Agricultura, está a prever estas situações e a tomar medidas muito antecipadamente. No caso das crises, é preciso ter a capacidade de prognosticar, de ter informação chave e reagir antecipadamente. E aqui o Governo está a reagir antecipadamente e tomou medidas muito antes do que outros países da região. Não é um milagre, é o resultado de um esforço, de uma planificação e de estar sempre atento ao que está a acontecer no país”, concluiu a representante da FAO.

O arquipélago enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística desde março de 2020, devido à pandemia de covid-19.

NN/LUSA 

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