Empresários alertam que recrutamentos em Cabo Verde ameaçam produtividade do país

12/10/2022 23:17 - Modificado em 12/10/2022 23:17
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O presidente da associação empresarial Cabo Verde Empresas, Andrea Benolli, afirmou que os sucessivos recrutamentos de trabalhadores cabo-verdianos, nomeadamente para vários sectores em Portugal, põem “em risco a manutenção do nível de qualidade” e a produtividade.

“Do ponto de vista das empresas, significa que milhares de quadros formados e com experiência apurada ao longo dos anos terão de ser substituídos por outros mais ou menos preparados, mas sem experiência, pondo em risco a manutenção do nível de qualidade e dos índices de produtividade nos diversos sectores económicos. Infelizmente, não há solução imediata para este problema”, alertou o empresário, num comunicado daquela associação, com sede na ilha do Sal.

“Não podemos simplesmente transferir o problema da emigração para as empresas, afirmando que elas devem criar as condições para que possam reter seus trabalhadores, aliás aumento dos salários. As empresas também estão sofrendo com a crise climática, a crise da seca, a crise da pandemia, a crise financeira etc. E não podemos pensar em ter de suportar também a crise da mão-de-obra”, acrescentou.

O responsável recordou que “as crises são muitas” e não é possível continuar a pedir o apoio do tecido empresarial, “após dois anos de pandemia e dívidas ainda para pagar”.

Posição defendida pelo responsável, na sequência das ações de recrutamento de empresas portuguesas realizadas nos últimos dias em Cabo Verde, a última das quais em 04 de Outubro, pela Auto Viação Feirense, que pretendia contratar 30 motoristas e que acabou por reunir à porta de um hotel da Praia várias centenas de candidatos de várias ilhas, cabo-verdianos que se deslocaram propositadamente à capital.

Já em São Vicente, um anúncio de 100 empregos para Espanha e Portugal, na hotelaria e construção çivil, recebeu mais de 1.200 candidaturas este mês e obrigou à suspensão do processo de recrutamento, entre outros casos que têm sido conhecidos nas últimas semanas

“Confiamos na capacidade dos respectivos Governos de fazer o máximo para que estas garantias não sejam apenas definidas no papel, mas sobretudo implementadas na prática, controladas e eventualmente sancionadas as empresas que as não apliquem. Uma vez garantidos os direitos dos trabalhadores migrantes, a questão da frente empresarial e social fica obviamente em aberto”, afirmou.

O responsável reconheceu que “há uma necessidade quase fisiológica que leva milhares de homens e mulheres cabo-verdianas a querer emigrar, em busca de melhores condições de vida”, no entanto, a “prioridade estratégica deve ser a oferta de uma vida melhor em Cabo Verde, capaz de reduzir a atual distância com os países economicamente mais desenvolvidos”.

“Do ponto de vista da gestão das finanças públicas, significa que os países que acolherão os nossos emigrantes beneficiarão da formação cabo-verdiana, paga através de empréstimos da cooperação internacional. Empréstimos que serão pagos pelas empresas cabo-verdianas e pelos cidadãos residentes”, acrescentou.

NN/Lusa

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