Fazenda de Camarão aposta em energia solar e eólica com “benefícios enormes”

29/09/2022 23:31 - Modificado em 2/10/2022 00:16
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A Fazenda de Camarão, a primeira iniciativa comercial de aquacultura em Cabo Verde, construído em 30 hectares de área molhada em tanques semi-escavados na zona do Calhau, na Ilha de São Vicente, tem apostado na produção da própria energia para consumo e que tem trazido “benefícios enormes” à empresa que viu reduzido as despesas na sua factura mensal.

Isso devido a implementação de 90 painéis solares e três postes eólicos, que dão garantia à empresa, que consome muita energia, desde de bombardear a água do mar, através de uma bomba para os viveiros, que fica a cerca de 300 metros na Praia Grande, bem como para a manutenção do próprio espaço que gasta muita energia.

O projeto, segundo o promotor e gerente, Nelson Atanásio Santos, implementado há três anos e que hoje dá resultados, surgiu como forma de reduzir as despesas e também apostar nas energias renováveis.

“A ilha de São Vicente, principalmente a zona de Calhau por ser muito ventoso e com muito sol é um local privilegiado para este investimento”, refere este empresário que diz ter assinado, na semana passada,  dia 21 um acordo com a ELECTRA, para no sentido de reverterem o montante produzido.

Diz que consome aquilo que necessita e o restante, é colocado na rede da Electra para consumo, e a partir de agora vão começar a pagar por isso.“Pagamos pouco mais de 30 escudos por Kilowatt e vão nos reverter cerca de 8 escudo por kilowatt do excedente de energia que vamos injectar na rede”, explicou Nelson Atanásio, que diz que mais de metade da energia produzida, quando há sol e vento, é injectada na rede.

“Não consumimos nem metade desta energia”, frisou.Algo que considera vantajoso para a Fazenda de Camarão que antes tinha, segundo o mesmo, uma das maiores facturas de electricidade de São Vicente.

“Atualmente pagamos metade do valor”, realça.“Sempre ambicionamos ser a primeira fazenda de produção aquícola que utiliza 100 por cento de energias renováveis”, sustentou este empresário e aponta que, neste momento, é cada vez mais barato investir em energias de fonte renovável, conquistando algum grau de autonomia face à rede pública.

“São Vicente e particularmente o Calhau é uma zona de vento e uma zona de muito sol e quer dizer que vou produzir bastante e consumo muito na fazenda de Camarão. É uma das maiores facturas que a Electra tem em São Vicente e com o investimento paga metade daquilo que paga antigamente. Que era muito dinheiro”.

Fundada em 2017, a Fazenda de Camarão é pioneira nacional em aquacultura. Os viveiros estão instalados em terra e em ambiente controlado, o que se traduz num impacto ambiental mais reduzido quanto possível, salientou Nelson Atanásio Santos, que diz que as chuvas de Setembro, infelizmente, tiveram um impacto “devastador” no local.

“Estamos a trabalhar na recuperação das cercas e de alguns viveiros que foram afectados”, evidenciou o empresário que, assegurou ainda que desde após a queda das chuvas, quando inteirou-se dos estragos e notaram os prejuízos, compôs uma equipa para trabalhar no local.

“Temos os viveiros, depois temos uma rede de canais que liga todos os viveiros e no lado sul perdemos as vedações e um viveiro. Tivemos um rombo de 60% da vedação, desde do dia da chuva parou que estou com uma equipa a trabalhar e não sei se o trabalho vai terminar dentro de um ou dois meses para recuperar o que perdemos”, avançou.

Todavia, realçou que o impacto que as chuvas vão ter nos agricultores da ilha. “Embora houve muita destruição por aqui, nas hortas, nas estradas, nas casas, as pessoas ficaram felizes com a queda das chuvas”, acrescentou este empresário.

“Tivemos um prejuízo enorme, mas a chuva veio beneficiar uma grande maioria. E é isto que conta”.Sobre os prejuízos, diz que a Fazenda tem a filosofia que que nenhum obstáculo que não possa ser ultrapassado, relembrando que na fase da pandemia tiveram vários constrangimentos e que ainda estão a recuperar.

No local trabalhsam neste momento, 28 pessoas trabalham na fazenda de camarão. “Mas quando a fazenda trabalha em pleno pode atingir 80 trabalhadores e a maior parte da mão de obra é da zona de Calhau”, e aponta que existe um forte engajamento do Ministro do Mar, que acarinha o projecto.

A Fazenda de Camarão surgiu em 2017, fruto de investimento de 600 mil contos e previa, na altura, produzir 250 a 350 toneladas/ano de camarão marinho em dez viveiros, numa área total de cerca de 28 hectares.

Neste momento, a empresa conta com 28 viveiros, dos quais apenas sete estão em funcionamento, porque, segundo Nelson Atanásio dos Santos, “não há dinheiro” para colocar os outros em funcionamento.

Atualmente, o projeto é desenvolvido por investidores/parceiros de Cabo Verde e do Brasil.

Elvis Carvalho

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