Dóris Correia Campeã Nacional 2022 de Bikini Fitness: “Sensação inexplicável de vitória, de orgulho – Não vou parar por aqui”

28/09/2022 23:20 - Modificado em 28/09/2022 23:27
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Chama-se Dóris Correia é, natural de Santo Antão e vive em São Vicente, há cerca de seis anos, quando veio dar continuidade aos seus estudos. Hoje com 24 anos, após muito treino, disciplina, foco e alguns sacrifícios pelo caminho, é a atual campeã da Taça de Cabo Verde de Culturismo e Fitness, categoria Bikini Fitness.

Uma conquista que aconteceu no sábado passado, 24 de Setembro, isso após uma rotina de treinos de quatro anos. “Entrei no ginásio à procura de melhorar a sua saúde e acabei por ficar pelo corpo”, diz sorridente.

Esta campeã Nacional categoria Bikini Fitness em entrevista com o Notícias do Norte, diz que desde o início acreditou que era capaz. E que após ouvir o seu nome ser anunciado como a vencedora, a sensação foi indescritível. “Foram semanas duras de restrições e lutas. Ser campeã na minha categoria é algo maravilhoso. Sensação inexplicável e de orgulho”, afirma a jovem que é licenciada em Marketing Gestão Comercial e Empreendedorismo.

A paixão pelo fisiculturismo, prosseguiu, começou há 4 anos, quando se inscreveu pela primeira vez num ginásio e daí não parou mais. “A musculação é onde me sinto verdadeiramente completa” avançou Dóris Correia, que como, quase todos os frequentadores de ginasio, pelo menos um boa parte, começou a se apaixonar por aquilo.

“Um objectivo que tracei é que não quero parar”, atira Dóris Correia, que alega que o interesse pela modalidade de Bodybuilding, foi despertado pelos colegas do ginásio, principalmente o personal trainer do Ginásio que frequenta.

“Os incentivos começaram paulatinamente. Diziam que o meu corpo estava ganhando uma estética agradável e que deveria participar nas competições regionais e nacionais da modalidade”.

E apesar de pouco saber sobre isso, e também nunca ter sido uma opção, resolveu se aventurar e nisto surge o interesse do “Team Semedo”, que a convidou a entrar na sua equipa e decidiu arriscar e participar na categoria de Bikini Fitness.

Uma categoria, única para atletas do sexo feminino, e onde se busca a beleza, tanto de corpo, como de rosto e onde as mulheres poderiam ser facilmente modelos de biquíni, por isso o nome da categoria.

Com físicos bem trabalhados, onde se busca a hipertrofia e definição, porém procurando sempre manter os traços femininos e o aspecto saudável, os quais são critérios também julgados nesta categoria, aspectos que transformaram Dóris Correia em campeã nacional da categoria.

A oportunidade de participar na prova pela primeira vez, aconteceu em 2021. Conta que teve a oportunidade de participar na segunda edição da prova, mas nas vésperas da viagem testou positivo à Covid-19.

Um balde de água fria, mas que também serviu para que ela pudesse se preparar mais, conhecer melhor o seu corpo, a modalidade, a coreografia e tudo isso para que 2022 fosse o ano dos acontecimentos e assim foi. “Foi uma frustração, tinha tudo pronto, passagem, alojamento, aliás quase tudo, porque sentia que mesmo fazendo parte de uma equipa, ainda estava sozinha”, algo que felizmente foi ultrapassado e hoje sente-se completamente integrada na equipa, da qual fazem parte outros campeões desta edição.

A estreia aconteceu este ano numa competição de Culturismo e Fitness, onde na sua categoria de Bikini Fitness tinha pela frente, mais duas concorrentes, ou seja, sabia que a tarefa não seria fácil, mas estava preparada. “Comecei a treinar cada vez mais intenso, e diariamente. E com maiores apoios comecei a ver resultados que queria”.

Mostra ser uma mulher persistente, que garante não desistir a primeira quando quer algo. Por isso, embora nem tudo tenha sido fácil, desistir nunca foi opção, já que segundo Dóris Correia, um atleta precisa de uma alimentação rigorosa e dispendiosa e ainda os suplementos.

E que devido a um problema de saúde não pode usar os suplementos normais. “Então não cheguei a usar”, garante a jovem, que por outro lado tinha uma boa alimentação alinhada com uma boa rotina de treinos.

“Antes treinava quatro vezes por semana, e antes da competição tive que aumentar os dias de treino. Não treinava apenas no domingo e cada dia treinava um músculo diferente”, evidenciou a jovem Bikini Fitness que teve um treino e dieta rigorosos quando faltavam duas semanas para o grande dia.

Para competir teve apoio da sua equipa e de uma atleta da sua categoria, que lhe deu todas as indicações, plano de pose, alimentação, além dos apoios dos membros da associação da modalidade na ilha.

“No início treinava muito e não via muito progresso, mas depois entendi que o meu corpo, de Bikini Fitness, é diferente de wellness, que desenvolve músculos maiores e mais rápido e após entender isso, vi que não era a minha categoria assegura que quer mesmo manter-se nesta categorias.Muitos esforços e sacrifícios para poder se dedicar ao máximo e atingir o seu objetivo.

“Saia do trabalho no fim do dia, ia ensaiar as poses, depois corria para os treinos. Foi bastante intenso e o meu corpo acabou por resistir a isso tudo”, explica a jovem que avançou ainda, que depois da competição teve que tirar alguns dias para se recuperar e começar uma nova rotina de treino, isso porque, conforme Dóris Correia este é só o início.

“É uma paixão que desenvolvi, é especial e quero continuar”, sustentou a jovem que mostra-se completamente “arrebatada” pela modalidade, que dia por dia está a ganhar adeptos no país.

A cultura do corpo perfeito ou conforme as especificações de cada um, tem sido o mote de vários jovens que enchem os ginásios em São Vicente. “É raro, ou quase impossível encontrar um ginásio aberto e sem gente em São Vicente”, frisou.

Isso porque, como a mesma refere, muitos começam a se apaixonar pelas novas formas, pelo shape, além dos grandes benefícios para a saúde e para a auto-estima.

Sobre as críticas, destiladas nas redes sociais contra as mulheres com o corpo muito musculoso, que não é o seu caso, ainda existe algum preconceito. E que os críticos dizem que elas têm o corpo feio e que ou muito masculino. “Temos músculos e estamos a desenvolvê-los. É opinião de cada um, mas também sinto que sou uma referência, vejo muitas mulheres a pedirem dicas de treino e muitos elogios”.

O que segundo a mesma, pode estar na origem da fraca participação de mulheres na competição. “Para mim não é feio, não é desagradável a vista. É único”, realça, embora durante a preparação tiram quase tudo da alimentação, o sal, gordura, açúcar, para poder ficar mais seca. “É um processo intenso”.

Elvis Carvalho

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