ONU concluiu que “foram cometidos crimes de guerra na Ucrânia”

23/09/2022 17:48 - Modificado em 23/09/2022 17:48
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O líder da comissão de investigação da ONU citou testemunhos de antigos prisioneiros sobre
espancamentos, choques elétricos e nudez forçada em instalações de detenção russas.

A comissão de investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Ucrânia revelou,
esta sexta-feira, existirem “evidências” de que foram cometidos “crimes de guerra” no país
desde a invasão russa, há quase sete meses.

“Com base nas evidências reunidas pela comissão, concluiu-se que foram cometidos crimes de
guerra na Ucrânia”, revelou Erik Mose, que lidera a investigação sobre violações dos direitos
humanos na Ucrânia, citado pela agência de notícias Associated Press (AP).

A equipa de peritos, enviada para a Ucrânia pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU,
concentrou-se em quatro regiões: Kyiv, Chernihiv, Kharkiv e Sumy.

Em conferência de imprensa, Mose citou testemunhos de antigos prisioneiros sobre
espancamentos, choques elétricos e nudez forçada em instalações de detenção russas.

“Ficámos impressionados com o grande número de execuções nas áreas que visitámos. A
comissão está atualmente a investigar essas mortes em 16 cidades e povoações”, acrescentou.

Muitos destes assassinatos foram cometidos contra pessoas detidas, adiantou o presidente da
comissão, referindo que muitos dos mortos estavam com as mãos amarradas atrás das costas,
ferimentos na cabeça e cortes na garganta, o que mostra que foram alvo de execuções
sumárias.

O presidente da comissão também denunciou que soldados da Federação Russa cometeram
violência sexual e de género a vítimas com idades “entre os 4 e os 82 anos”, e que, em alguns
casos, os familiares foram obrigados os maus-tratos e torturas.

A comissão – também formada pelo colombiano Pablo de Greiff e pela bósnia Jasminka
Dzumhur — “documentou casos em que crianças foram violadas, torturadas e detidas
ilegalmente”, sendo assassinadas em alguns casos.

Testemunhas entrevistadas pela comissão relataram ter sido submetidas a espancamentos,
choques elétricos e nudez forçada durante detenções ilegais, em alguns casos após serem
levadas da Ucrânia para território russo.

O líder norueguês da comissão também denunciou o uso repetido de artefactos explosivos em
zonas não militares, que afetaram áreas residenciais, escolas, hospitais e outras
infraestruturas, e que, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos
Humanos, provocaram a morte de cerca de 6.000 civis em sete meses de conflito.

“Uma parte dos ataques que investigámos foi lançada sem distinção entre civis e
combatentes”, disse, referindo que essa é uma das provas da existência de crimes de guerra.

As conclusões são as primeiras comunicadas pela comissão desde a sua criação pelo Conselho
de Direitos Humanos, em março passado, e abrangem especialmente os atos perpetrados em
fevereiro e março nas zonas próximas de Kiev, Chernigov, Kharkiv e Sumy.

“A recente descoberta de mais valas comuns ilustra a gravidade da situação”, apontou o
presidente da comissão, que indicou que as autoridades ucranianas colaboraram com nas
investigações, enquanto a Rússia se recusou sempre a sequer comunicar com a comissão.

Cerca de 450 sepulturas foram descobertas, há uma semana, perto de Izium, cidade na região
de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, recentemente reconquistada às forças russas.

De acordo com as autoridades locais, foram descobertas 443 sepulturas, incluindo uma que
continha os corpos de 17 soldados ucranianos e uma inscrição que dizia “Exército ucraniano,
17 pessoas. Izium, morgue”.

Notícias ao Minuto

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