PAICV denuncia “alta intensidade” de nomeação a cargos públicos de pessoas próximas ao poder

23/09/2022 17:32 - Modificado em 23/09/2022 17:32
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O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) alertou hoje, no
Mindelo, para a “alta intensidade” de nomeações de pessoas próximas ao Governo a cargos
públicos “deixando de fora competência técnica e eficiência”.

Tendo como porta voz o membro da Comissão Política Nacional Fidel de Pina, o partido, em
conferência de imprensa hoje, no Mindelo, assegurou estar “preocupado” com a “falta de
sensibilidade” de Ulisses Correia e Silva e seu Governo que se tem “lançado numa acção
desenfreada no sentido de captura das instituições públicas cabo-verdianas”.

“Para resolver os seus problemas internos, o sistema da maioria recorre a instituições e
recursos do Estado, numa intensidade nunca antes verificada neste País, como se pode
testemunhar com a nomeação de membros para a Alta Autoridade da Concorrência”,
considerou a mesma fonte, adiantando estar-se a “deixar de fora a competência técnica e a
eficiência das instituições”.

Para Fidel de Pina, “os cabo-verdianos compreendem melhor o slogan de Ulisses Correia e
Silva utilizado nas campanhas eleitorais, ‘somos diferentes, fazemos diferente’”.

Isto porque, asseverou, todos os cabo-verdianos assistem agora à uma “verdadeira
normalização e generalização de contratos de gestão com chorudos salários e regalias em
todas as instituições” com “claro favorecimento a familiares e amigos dos membros do
Governo e altos dirigentes do MpD”.

O membro do PAICV disse que não é de se estranhar que uma das primeiras medidas
adoptadas pelo executivo, logo quando eleito em 2016, “foi precisamente acabar com os
concursos públicos” e adoptar regras de nomeação por confiança, “deitando por terra”
qualquer possibilidade de todo e qualquer cidadão e jovem poder ambicionar exercer cargos
de responsabilidade na função pública e contribuir para o desenvolvimento do País.

“O MpD está a matar e a destruir todas as expectativas dos jovens quadros no acesso a
empregos e a cargos de responsabilidade, de forma transparente, em condições de igualdade
e por mérito”, reiterou Fidel de Pina, para quem o Governo “defraudou a expectativas e está a
olhar apenas para um lado, o lado do partido, dos familiares e amigos”.

Ademais, conforme a mesma fonte, tudo isso acontece num “contexto extremamente difícil”
em que o custo de vida tem aumentado de “forma significativa e com escassas oportunidades
para a juventude”.

Esta mesma juventude, criticou, que o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, “sem
apresentar qualquer alternativa”, pede para não emigrar.

Questionado pela imprensa sobre as mesmas críticas feitas pelo MpD aquando da governação
do PAICV, Fidel de Pina respondeu que o seu partido “já foi avaliado pelas coisas boas e pelas
menos boas que fez”.

“As coisas menos boas que, possivelmente, tenham acontecido não podem fazer escola e nós
neste momento estamos numa posição em que o nosso trabalho é representar o povo e
representar o sentimento das pessoas”, sustentou, acrescentando que “não se pode justificar
os erros do passado no presente”.

Admitindo estarem dispostos a fiscalizar e a “trabalhar afincadamente” para a “transparência e
rigor na gestão da coisa pública, Fidel de Pina instou Ulisses Correia e Silva a cumprir a
Constituição da República, principalmente, nestes dias em que se assinala o 30º aniversário
desta carta magna.

Inforpress

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