Paixão de Nailton Lopes: 19 anos dedicando totalmente a prática da capoeira

22/09/2022 18:11 - Modificado em 22/09/2022 18:11


O jovem sanvicentino Nailton Lopes, de 31 anos, é capoeirista há 19 anos e hoje, conclui que a modalidade de capoeira é o ar que respira. Todo o conhecimento que tem adquirido ao longo dos anos, tem sido replicado em escolas e jardins, dando assim o seu contributo nesta área na ilha de São Vicente.

Em Conversa com o Noticias do Norte, Nailton Lopes contou que o seu primeiro contacto com a modalidade de capoeira foi em 2004, na altura com apenas 13 anos, e o que lhe chamou atenção primeiramente, foi a mistura de sons dos instrumentos, ou seja a música que ouvia sempre de longe.

“Há uma certa distância ouvi a música e acabei por me identificar. Não sei explicar o que a parte musical tinha de especial, só sei que  a mistura dos sons dos instrumentos acabaram por despertar a minha curiosidade.

Da música aos movimentos apreendidos ainda a distância, após o término das aulas todos os caminhos davam ao Polivalente Oeiras em Monte Sossego, zona onde residia na sua infância. A única coisa que sabia eram os dias e horários em que o grupo se reunia para os treinos.

“Ouvir o som da música, os golpes foram paixão à primeira vista”, disse o capoeirista que não resistiu e se aproximou do grupo, passando um tempo depois a fazer parte daquela escola.

De 2004 até hoje, Nailton Lopes continua a fazer parte da Escola Abadá Capoeira (Associação Brasileira de Apoio ao Desenvolvimento de Arte de Capoeira), sito em Mindelo, que o acolheu “muito bem”, fez dele o atleta que é hoje e “desde então nunca parei”.

Para além disso, sublinhou que esta escola está presente em 70 países, 26 estados no Brasil, e em cinco ilhas em Cabo Verde (Santo Antão, São Vicente, Sal, Boavista e Santiago).

Após participar nos jogos mundial no Brasil em 2015, tendo ficado nos oitavos de final, este jovem e os colegas participaram numa formação em pedagogia naquele país, a fim de regressar a Cabo Verde para ensinar capoeira às crianças.

Hoje Nailton Lopes conta com cerca de 500 alunos espalhados por escolas básicas, jardins infantis e outros espaços em São Vicente, aplaudindo assim o interesse dos pais em deixarem seus filhos aderirem às aulas.  

Valorização da Capoeira em São Vicente

Este atleta e professor acredita que há uma valorização da modalidade na ilha.

“Capoeira em São Vicente está sendo valorizado e vejo isso nos espaços disponibilizados para ensinar este desporto. Não somente em escolas e jardins mas também há outros espaços que têm aderido a esta pratica”, opinou o jovem que vê com bons olhos esta adesão, estando no momento a trabalhar com uma base que começa a partir dos 3 anos de idade.

Destaca ainda que  a importância desta prática que ajuda na concentração, coordenação motora e para as crianças é uma excelente modalidade.

Aulas de manhã, de tarde e de noite. Apesar de cansativo, essa paixão é maior do que este cansaço. “É gratificante quando vejo que as crianças e pais valorizam esta modalidade e reconhecem o trabalho que tenho feito”, contou.

Ainda existe preconceito na Capoeira

Nos 19 anos de prática, este jovem afirma que o preconceito ainda persiste, porque, justificou, as pessoas associam esta modalidade a religião.  

“Muitas pessoas incutiram a ideia de que a capoeira é associada à religião. Engana-se quem pensa assim. É um desporto como os outros, como futebol, natação, andebol, basquetebol, entre outros. Capoeira é um desporto que acolhe qualquer pessoa independentemente de religião”, esclareceu.

No entender de Nailton Lopes o que falta  é mais curiosidade e conhecimento sobre esta modalidade, levando as pessoas a terem uma ideia errada sobre capoeira. O importante é entender o contexto do surgimento desta modalidade.

O mesmo explica que, a capoeira surgiu como resposta a violência a qual os escravizados eram submetidos em tempos coloniais e imperiais no Brasil e a partir de golpes e movimentos corporais ágeis, a luta permitia que eles se defendessem das brutais perseguições dos capitães do mato, cuja atribuição era capturar quem havia fugido.

“Capoeira é dança, é luta, é história , é filosofia. Como diz o nosso mestre, capoeira é o que o momento determina”, finalizou.

AC – Estagiária

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