Livro “Amor Cruel” de João José dos Santos é um retrato da VBG no país

19/09/2022 00:28 - Modificado em 19/09/2022 00:28
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Relato de um caso de Violência Baseada no Género, VBG. Histórias de uma relação que se transformou num autêntico “inferno” para a mulher, que ao longo do seu relacionamento viu as atitudes amorosas se transformarem-se em agressões. Os elogios em ofensas, os olhares de admiração em desprezo e o carinho em agressões físicas, são temas a serem encontrados em cada uma das páginas do romance “Amor Cruel” do professor João José dos Santos.

A ser apresentada, brevemente, o mais tardar em Novembro, a sua primeira obra literária “Amor Cruel”, é um retrato da problemática da Violência Baseada no Género no país e com isso, apresentar o seu contributo na erradicação desta a problemática, que nos últimos tempos, como se tem noticiado, se transformaram em casos de feminicídio.

Situações graves, que conforme o autor acabou por mexer com sua sensibilidade e o levou a meter mãos à obra. “Foram dois anos. O projecto teve início em 2019 e devido a pandemia, que acabou, neste particular, por ser positivo, tive tempo de sobra para escrever cada linha com o máximo cuidado que a temática exige”, explicou João José dos Santos, que ainda tem na gaveta uma obra, a espera de ser publicada.

Diz que o livro se baseia numa história real, da qual presenciou e a partir daí, começou a escrever. “Quando é algo real e que estamos envolvidos torna-se mais fácil. Uma história real onde encontramos uma vítima e um agressor”.

Em “Amor Cruel”, João José dos Santos, diz que tentou representar a vítima, o mais real possível. “Uma mulher que nunca desiste de lutar contra o seu sentimento”, aponta, realçando que é necessário, antes de tudo, entender que antes, era um príncipe, e que depois, ao longo do tempo revela-se um “monstro”, aliás como outras histórias.

O próprio título no entanto apresenta-se como uma contradição, que o autor explica ser propositado. “Se é amor, de forma alguma é cruel. Cruel são as relações humanas, as pessoas, mas amor no seu verdadeiro sentido, nunca poderia ser cruel”, por isso, apesar de tudo mostra uma certa complementaridade. “São relações amorosas que se transformam”.

“O título é uma contradição em si. Mostra que as relações humanas podem ser cruéis. Uma vivência das crueldades, de abuso” e sustenta que onde há crueldade, abuso e desrespeito, não há lugar para o amor.

E o subtítulo da obra, “Quando seu inimigo se responde pelo nome de amor”, acaba por dizer tudo, com base neste contexto em que a mulher, a vítima de VBG, para se escapar do seu agressor, decide fugir de casa, para depois enfrentá-lo no tribunal.

A obra fala também sobre a importância de ter apoios, pessoas que possam auxiliar. E principalmente, no primeiro passo, que é assumir que são vítimas e não culpadas pela situação.

Conta ainda que ao tomar conhecimento da história, dos impactos que tem na vida das pessoas, este passou a ser um dos seus projectos de vida e insta as pessoas, principalmente as mulheres a estarem atentas aos sinais, que possam surgir, porque eles estão ali.

E o mais importante, nunca ceder a uma segunda chance após uma agressão, porque a partir daqui, como mostra o livro, torna-se um caminho sem volta, com uma vida preenchida de agressões e abusos. “Depois da primeira vez que me bateu até pediu desculpas, chorou. Na segunda vez fez-me acreditar que a culpa da sua atitude agressiva era minha”, cita um dos depoimentos que estão presentes na obra.

Até chegar a este momento, que se encontra neste momento, na paginação, diz que teve muita força de vontade para conseguir chegar neste ponto. É que após receber uma proposta de uma editora, lançou uma campanha nas redes sociais de compra antecipada e graças ao envolvimento de muitas pessoas conseguiu bater a marca estabelecida.

Desafios dos novos escritores

Em relação aos desafios, aponta dois aspectos: a escassez de editoras e a falta de credibilidade em novos autores e os incentivos. Poucas editoras no país e os que existem, raramente, querem trabalhar com novatos.

Em relação aos incentivos diz que há muita promessa, mas que na prática isso não funciona. “Não se tem conseguido incentivar os novos escritores através de programas, que verdadeiramente servem como incentivadores para os novatos na literatura e por isso, muitas vezes, fica difícil trabalhar e publicar um livro em Cabo Verde. “Temos como incentivador, a nossa força de vontade, o sonho de publicar o livro e muita luta”.

João José dos Santos conta que a paixão pela escrita começou ainda criança e com o tempo, só foi aumentando. Teve o seu auge em Portugal, quando foi fazer os estudos superiores. É mestre em teologia.

De Portugal voltou ao país onde teve uma breve estadia e depois voltou a seguir viagem, desta vez, para o Brasil onde foi complementar o seu curso. E é também onde escreveu o seu primeiro livro “Resgatado”.

Natural de Lombo de Pedrano, Ribeira da Torre e Santo Antão fez boa parte dos estudos na ilha das montanhas. Seguiu para a cidade da Praia para concluir o 12º ano e logo de seguida viajou para Portugal, para dar continuidade aos estudos.

Elvis Carvalho

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