Nações Unidas aumentam para 115 milhões de dólares o orçamento do novo quadro de cooperação com Cabo Verde

15/09/2022 22:36 - Modificado em 15/09/2022 22:36
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As Nações Unidas vão disponibilizar 115 milhões de dólares para o novo quadro de cooperação com Cabo Verde para os próximos cinco anos, um aumento de 19 milhões face ao quadro anterior, que era de 96 milhões de dólares.

A informação foi avançada hoje pela coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, Ana Graça, na abertura da reunião de alto nível para a discussão e aprovação deste novo Quadro de Cooperação para o período 2023 a 2027.

Ana Graça adiantou que esse aumento da verba disponibilizada se deveu a vários motivos, entre os quais a integração de mais agências e mais entidades das Nações Unidas que não estavam presentes em Cabo Verde.

“Para vos dar um exemplo, vai fazer parte do novo quadro de cooperação a Comissão Económica da África, a Organização Internacional do Comércio (OMC), a Organização das Telecomunicações, muito importante para a área do digital, o Programa Alimentar Mundial, a OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Portanto, temos mais capacidades e mais expertise e mais recursos financeiros”, explicou.

Por outro lado, Ana Graça salientou que o país e o mundo estão em situação de crises múltiplas, pelo que a solidariedade internacional e a cooperação global é “mais urgente do que nunca”.

“O país e o mundo têm de recuperar destas crises e tem que acelerar para conseguir alcançar efetivamente a agenda 2030, uma vez que estamos a oito anos desta década de Acão.

Portanto, a solidariedade internacional também é e esperamos que seja maior”, acrescentou.

Ao fazer o balanço do programa 2017 – 2022, disse que aquilo que tinha sido planeado em 2017 foi diferente do implementado, devido à covid-19.

Entretanto, adiantou que o Sistema das Nações Unidas com todas as agências e suas capacidades conseguiu apoiar o Governo na resposta à crise pandémica.

“É um orgulho para todo mundo que Cabo Verde tenha o nível de vacinação que temos hoje. Penso que isso é para já a marca mais importante do passado”, disse destacando, sobretudo, as lições retiradas em termos de resiliência.

Para este novo quadro, indicou que todas as agências vão trabalhar “de forma mais focada e concentrada” com programas mais estruturantes para ajudar e apoiar Cabo Verde não apenas a recuperar destas crises múltiplas, mas também a efetivamente dar aquele salto qualitativo que o país tem como ambição e para alcançar os ODS.

De entre as áreas prioritárias do novo quadro, destacou o talento humano e o desenvolvimento do capital social, um pilar que, conforme adiantou, está virado para a saúde, para a educação e para a proteção social com ênfase nos mais vulneráveis, na proteção das crianças e questão da igualdade de género.

Uma segunda área estratégica se prende com a transformação e diversificação económica e uma transição mais justa para um ambiente mais saudável, e por fim uma governação mais modernizada e reforçada.

Áreas que, segundo o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, estão em consonância com as áreas definidas no quadro do Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável de Cabo Verde (PEDS).

O governante cabo-verdiano destacou o contributo das Nações Unidas em ajudar Cabo Verde na construção de uma visão de futuro, um Cabo Verde moderno, inclusivo, de paz, democrático e também desenvolvido.

“Nós queremos fazer de Cabo Verde uma nação global, digital, empreendedora, inclusiva e que respeite os direitos das minorias. Que respeita e promove os direitos das mulheres, mas também que procura garantir todas as condições para que tenhamos um país sustentável do ponto de vista económico, social e ambiental. Um país que é capaz de apostar numa nova fórmula de governação que seja mais abrangente”, declarou.

Para Olavo Correia, mais do que o envelope financeiro, “o mais importante” é o conhecimento que as Nações Unidas trazem para ajudar Cabo Verde na construção de uma visão de futuro, de desenvolvimento e que pode também colocar o país na posição de país plataforma, útil aos seus concidadãos e útil ao mundo.

Inforpress

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