São Vicente: Associações do setor da agricultura falam de prejuízos que precisam ser resolvidos para que o ano agrícola possa decorrer na normalidade

12/09/2022 00:17 - Modificado em 12/09/2022 00:17
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Em São Vicente, as associações ligadas ao setor da agricultura (Calhau, Madeiral e Txon D’Holanda) fazem um balanço dos estragos provocados pelas últimas chuvas e afirmam que o ano agrícola vai retomar a normalidade caso os problemas sejam resolvidos atempadamente.  

O presidente da Associação Agrícola para o Desenvolvimento de Txon D’Holanda, António Monteiro, disse ao Notícias do Norte que houve muitos estragos, principalmente numa vala de água que fica ao lado do perímetro.

“No mesmo local houve uma avaria devido às cheias, destruindo um curral que tinha no seu interior vários animais. Algumas hortas também ficaram destruídas”, indicou.

Além disso apontou ainda uma avaria numa conduta de água. O mesmo acredita que se houver uma boa preparação para receber as chuvas os estragos serão mínimos. Neste momento, avançou, alguns agricultores já começaram a preparar os terrenos.

Vários problemas também foram detetados em várias parcelas e poços, conforme Hederley Rodrigues, presidente da Associação Agropecuária Madeiral/Calhau.

“A maioria dos agricultores tiveram os motores de seus poços avariados, quando foram submersos pela água das chuvas. Ainda não começámos a trabalhar em algumas propriedades, principalmente aqueles que estavam mais perto da ribeira e que sofreram mais estragos”, avançou este responsável.

A falta de eletricidade em alguns pontos do Calhau, indicou, tem dificultado o arranque da atividade de alguns agricultores porque os mesmos dependem da eletricidade para a bombagem de água para as suas hortas.

Hederley Rodrigues disse que a delegação do Ministério da Agricultura mandou desassorear três diques, mas um deles não foi corretamente desassoreado e consequentemente houve invasão de água em algumas propriedades.

“Antigamente mesmo que a chuva parasse de cair a água continuava a correr pela Ribeira durante dias. Este ano, infelizmente, a água sumiu no mesmo dia porque não houve estruturas para aguentar a água”, justificou o presidente da Associação Agropecuária Madeiral/Calhau que disse que é a primeira vez que uma situação desse tipo acontece.   

Mão de Obra escassa para agricultura

Relativamente a mão de obra António Monteiro afirmou que este tem sido um grande problema. “Temos sempre o problema em encontrar mão de obra para trabalhar na terra. Na zona de Ribeira de Vinha há sempre proprietários à procura de mão de obra e infelizmente tem sido muito difícil”, contou.

Para colmatar este problema, Monteiro referiu que nos últimos temos a Câmara Municipal de São Vicente – CMSV – disponibilizou um trator agrícola que os têm “ajudado muito” no preparo das parcelas agrícolas e facilitando num trabalho que poderia ser feito por muitos, mas que agora é feito com um único equipamento e em curto espaço de tempo. 

Já Hederley Rodrigues explicou que há mão de obra e que a agricultura é rentável, mas “infelizmente” é uma espécie de prestação de serviço.

“Quando uma pessoa encontra um outro trabalho em que usufrui de um salário mensal e lhe é garantido um seguro, é claro que não vai escolher a agricultura. Os problemas são as condições de trabalho apresentadas”, elucidou.

No entanto, estes responsáveis acreditam que neste ano agrícola a produção vai aumentar, tanto para as culturas do regadio como para o sequeiro, “caso os problemas sejam resolvidos”.

As associações avançaram ainda que a delegação do Ministério da Agricultura, em São Vicente já está a par dessas e de outras situações.

AC – Estagiária     

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