Agente da Polícia Nacional disse que não impediu a saída de Arlindo Teixeira do país porque “nada constava no sistema”

7/09/2022 23:13 - Modificado em 7/09/2022 23:13
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Começaram hoje a ser ouvidas as testemunhas residentes em São Vicente do julgamento de Amadeu Oliveira. A primeira das 12 testemunhas arroladas pela defesa e pela acusação, começou a ser ouvida ao meio-dia.

De acordo com a agência cabo-verdiana de notícias, a primeira a ser ouvida foi a agente da Polícia Nacional Maria Arcília Rodrigues, que se encontrava de serviço na fronteira, no Aeroporto Internacional Cesária Évora, e quem, no dia da saída do País do arguido e do seu constituinte, despachou esses dois passageiros.

Ao tribunal, a testemunha confirmou que foi ela quem fez a análise dos documentos de Arlindo Teixeira e Amadeu Oliveira, e porque “nada constava no sistema” sobre a interdição de saída do primeiro “não tinha como impedir” a sua saída do País.

Disse que quando chegou ao serviço, às 04:00, não viu nem Amadeu Oliveira, nem Arlindo Teixeira e que, dos dois, o primeiro a passar a fronteira foi Teixeira e que só depois de mais alguns passageiros é que Amadeu Oliveira surgiu ao balcão onde se encontrava.

Que não trocou “nenhuma palavra com os dois “, que Amadeu Oliveira apresentou passaporte ordinário com visto e Arlindo Teixeira passaporte de cidadão francês e que não tinha conhecimento de nenhum documento que interditava a saída do País deste.

“Actuamos de acordo com o que se encontra no sistema”, respondeu Maria Arcília Rodrigues a uma questão do Ministério Público sobre o tempo que leva uma decisão de interdição a entrar no sistema e se teve conhecimento de nenhum documento que interditava a saída de Arlindo Teixeira do País, citada pela Inforpress.

A sessão prosseguiu à tarde, com a audição das restantes 11 testemunhas residentes em São Vicente, das quais seis são agentes da Polícia Nacional que trabalham ou estiveram de serviço nesse dia da saída de arguido e constituinte na fronteira, no Aeroporto Internacional Cesária Évora.

O advogado Amadeu Oliveira detido desde do dia 18 de Julho de 2021, que é também eleito deputado nacional eleito nas listas da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) pelo círculo eleitoral de São Vicente, está acusado de um crime de atentado contra o Estado de Direito, um crime de coacção ou perturbação do funcionamento de Órgão Constitucional e dois crimes de ofensa a pessoa colectiva.

Em causa estão várias acusações que fez contra os juízes do Supremo Tribunal de Justiça e a fuga do País de (Arlindo Teixeira) condenado inicialmente a 11 anos de prisão por homicídio – pena depois revista para nove anos – em Junho do ano passado, com destino a Lisboa, tendo depois seguido para França, onde está há vários anos emigrado.

Arlindo Teixeira era constituinte de Amadeu Oliveira, forte contestatário do sistema de Justiça cabo-verdiano, num processo que este considerou ser “fraudulento”, “manipulado” e com “falsificação de provas”.

Amadeu Oliveira assumiu publicamente, no parlamento, que planeou e concretizou a fuga do condenado, de quem era advogado de defesa, num caso que lhe valeu várias críticas públicas.

NN/Inforpress

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