Seitas anti-vacinas dificultam luta contra o sarampo no Zimbabué

1/09/2022 15:21 - Modificado em 1/09/2022 15:21
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O Zimbabué está a braços, desde o início de agosto, com um surto de sarampo que já matou mais de 150 crianças. Segundo o governo, as crianças não foram vacinadas por pertencerem a seitas que não acreditam na medicina.

O surto começou na província de Manicaland e espalhou-se rapidamente pelo país, havendo já registo de 2.056 casos. Segundo o governo, praticamente todas as 157 mortes registadas são crianças que não tinham sido vacinadas contra a doença por pertencerem a seitas religiosas que não acreditam na medicina.

Na província de Manicaland, todos os anos milhares de membros da seita JohanneMarange se juntam para a sua peregrinação anual. Este é um dos grupos religiosos cuja doutrina não permite que os seus membros sejam vacinados ou procurem tratamento médico em caso de doença.

“Os fundadores da nossa igreja não permitem que nenhum membro procure tratamento médico. Se alguém ficar doente, deverá procurar os membros da igrejas mais velhos para orações. Receber tratamento médico é considerado um pecado.”, explica KuzivaKudzanai, de 56 anos, membro da seita.

A proibição de tratamento médico estende-se às mulheres grávidas, como nos conta Janet Hanyanisi, também membro da seita. “Não estamos autorizadas a ser vacinadas ou mesmo a ir a um hospital para tratamento. Vamos às nossas parteiras da igreja para o parto e as crianças não estão autorizadas a ser vacinadas.”

As autoridades sanitárias lançaram uma campanha de vacinação em massa para conter a propagação deste surto, mas entrar nestas comunidades religiosas e convencê-las a vacinar as crianças é um desafio. Cephas Hote é médico no Distrito de Mutasa, uma das regiões mais afetadas.

“Até agora, o que temos visto é que quase todas as mortes são de crianças não vacinadas. Houve alguns casos de infeção entre as crianças vacinas, mas que apresentaram sintomas ligeiros da doença.”

A campanha de vacinação lançado pelo governo visa vacinar massivamente as crianças entre os 6 meses e os 15 anos de idade. JulyMoyo, um ministro do governo local, explica que as autoridades estão a tentar sensibilizar líderes tradicionais e religiosos para a importância da vacinação.

“Esta propagação precisa de ser enfrentada como uma emergência. Mobilizámos todo o governo para garantir que as pessoas, especialmente as crianças, sejam vacinadas.”

O sarampo está entre as doenças mais infeciosas do mundo. A infeção infantil é causada por um vírus que pode ser fatal para as crianças pequenas. No entanto, pode ser facilmente prevenida com uma vacina.

DW

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