Custo de vida aumenta na Guiné-Bissau, mas ninguém fala em aumentar salários

30/08/2022 15:10 - Modificado em 30/08/2022 15:10
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O secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné-Bissau (UNTG), Júlio Mendonça, afirmou hoje que o aumento do custo de vida no país é notório, mas ninguém fala em aumentar os salários.

“É de lamentar porque na verdade os trabalhadores guineenses já viviam na penúria e as novas medidas agravaram a situação dos trabalhadores. Hoje, é notório que houve aumento de todos os produtos de primeira necessidade, o custo de vida aumentou, mas ninguém fala de aumento dos salários”, disse à Lusa Júlio Mendonça.

O secretário-geral da maior central sindical da Guiné-Bissau referia-se aos impostos instituídos pelo Governo em plena pandemia.

“Ninguém fala em acrescentar uma percentagem no salário dos trabalhadores para recuperarem o poder de compra, ninguém fala, nenhum membro do Governo, nem o Presidente da República, que por sinal é quem dirige este Governo”, lamentou o dirigente sindical.

A falta de poder de compra dos guineenses agravou-se com a pandemia de covid-19 e com a situação económica mundial e a sociedade civil e sindicatos têm alertado as autoridades governamentais para o impacto que a falta de medidas está a ter na vida dos guineenses.

“Durante os dois anos de exercício de funções deste executivo os trabalhadores já experimentaram todo o nível de sofrimento”, afirmou Júlio Mendonça.

“É óbvio que estamos em vésperas de eleições e já estão a desfilar mentiras para enganar o povo de novo. A única coisa que sabem fazer é mentir ao povo”, considerou.

A Guiné-Bissau prepara-se para realizar eleições legislativas em 18 de dezembro, depois de o Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, ter decidido dissolver o parlamento.

Questionado sobre se admite realizar novas formas de luta, tendo em conta a proximidade das legislativas, Júlio Mendonça salientou que durante um ano fizeram greves para consciencializar as pessoas, mas o povo “não andou” com a UNTG.

“Abandonaram a luta e hoje estamos a sofrer as consequências. Se tivessem agido, o Governo não tinha espaço de manobra para tomar muitas medidas. É óbvio que nunca descartamos adotar novas medidas reivindicativas para pressionar o executivo”, disse, salientando que é preciso os sindicatos reorganizarem-se.

Para Júlio Mendonça, é necessário regressar à luta, porque os governantes estão “mais preocupados em angariar fundos, através da corrupção, para poder alimentar a máquina partidária e sustentarem as campanhas políticas dos seus partidos”.

LUSA

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