Colheita de pasto nos descampados: Uma forma de sobrevivência de Luciano Duarte

28/08/2022 23:43 - Modificado em 28/08/2022 23:43
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A melhor forma que Luciano Duarte encontrou para ganhar algum dinheiro para se alimentar é arregaçar as mangas e colher o máximo de pasto nos descampados que receberam alguma chuva nos últimos dias. Devido as circunstâncias da vida, este mindelense procura esta forma honesta de ganhar o seu pão de cada dia. 

As últimas chuvas também trouxeram abundância para alguns que vive somente da apanha de pasto em descampados que recentemente se vestiram de verde.  

Nascido em Santo Tomé e Príncipe, Luciano Duarte conta que a sua mãe o trouxe para Cabo Verde com apenas poucos meses de vida.  Aos 52 anos, morador na zona de Fontes Inês, Luciano tem somente a responsabilidade de se alimentar porque os seus dois filhos já são maiores de idade.

Com as mãos encrustadas de terra e um pouco depois das 18h, Luciano Duarte esperava encher o seu terceiro e último saco de grama (pasto). Com 150$00 cada já estava garantido o jantar do dia.

Com o cigarro quase a “definhar” e de cócoras, as mãos deste senhor agarrava toda e qualquer planta que seria refeição de gado.

Antes de tudo, este senhor já foi serralheiro, um talento de confecionar, reparar e instalar peças ou elementos em chapas de metal, mas a sua saúde foi abalada. “Por questões de doença (problema do coração) foi obrigado a afastar desta atividade. Por um momento o meu problema me colocou em estado de coma durante 19 dias”, contou.

Com ou sem chuva, este homem com os seus sacos procura em todos os cantos o pasto que lhe dá dinheiro e é vendido no mercado de Ribeirinha ou aos que passam e estao interessados em adquirir o alimento do gado. “Não tenho emprego, mas encontrei esta forma de ganhar algum dinheiro, pois faço isso há muito tempo, todos os dias e recolho o máximo que poder”, disse.

No máximo consegue recolher 8 sacos e cada saco custa 150$00, e assegura que há sempre compradores para a sua grama ou bajas.“As vezes vem alguém que compra 3 a 4 sacos. Fico feliz, porque, pelo menos, garanto algum dinheiro para refeição”, desabafou.

Independentemente da época, encontra sempre oportunidade de arrancar o pouco que encontra para fazer as suas negociações do dia. Diante dos altos preços dos produtos, o mesmo disse continuar com a atividade que já considera “uma forma de luta do dia a dia” e “melhor do que mexer nas coisas alheias”.

No dia em que foi abordado, partilhou o mesmo espaço com um outro homem que também veio complementar o seu ganha pão.  “Há mais pessoas que fazem o trabalho para além de terem outras atividades. Mas é somente este trabalho que faço. Esta é a minha vida”, confessou.

Enquanto houver saúde para tal, Luciano afirma que vai continuar a fazer com que ganhe dinheiro da forma mais honesta possível. 

AC – Estagiária

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