Portugal: Médico cabo-verdiano quer regressar ao País e contribuir para o desenvolvimento do arquipélago

22/08/2022 17:22 - Modificado em 22/08/2022 17:30
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O médico cabo-verdiano, natural de São Nicolau e residente nos Açores, João Soares quer regressar “brevemente” a Cabo Verde para dar o seu contributo, dentro da sua área de trabalho, para o desenvolvimento do País.

Em declarações à Inforpress, o médico, que chegou aos Açores em 2014 e esteve dois anos como director Regional de Saúde e agora a desempenhar a função de delegado de Saúde na cidade de Lagoa, na ilha de São Miguel, disse que daqui a dois anos pretende voltar a Cabo Verde e estabelecer-se em São Nicolau.

“Fui recebido nos Açores de uma forma natural, porque tem todas as particularidades iguais a Cabo Verde, com excepção do clima que é mais propício para água e agricultura”, frisou, indicando que a ilha de São Miguel tem cerca de 150 mil habitantes e a população total dos Açores é de 247 mil habitantes.

Segundo o médico, que cursou Medicina em Lisboa (Portugal) antes de emigrar para os Estados Unidos da América (EUA), país onde viveu e trabalhou durante 20 anos, no Massachusetts Allianceof Portuguese Speakers (MAPS), onde se aposentou, uma organização em que a maior comunidade com a qual trabalhou foi açoriana, mas também cabo-verdianos, brasileiros, moçambicanos, angolanos e outras.

“Cabo Verde nunca saiu do meu pensamento, por isso que digo que a minha doença crónica é pensar viver Cabo Verde fora de Cabo Verde, tanto que, em 2020, na altura da explosão da covid-19, tive um ano sabático em São Nicolau, tendo sido um dos fomentadores da criação do plano de contingência contra a covid-19 e um dos primeiros promotores de uso das máscaras”, assegurou o médico, especialista em Saúde Pública Internacional.

João Soares explicou que quando se reformar, daqui a dois anos, e estabelecer-se em São Nicolau, quer “retribuir” o seu conhecimento, lembrando que foi ele o primeiro promotor em Portugal que levantou a questão da dieta citogénica, ou seja, “dieta sem carboidratos para combater as doenças metabólicas, como diabetes, obesidade, hipertensão e demência”.

“Os emigrantes, para além de contribuir grandemente na fatia económica, mas também cultural e património mundial, tem um papel importante na promoção e desenvolvimento de Cabo Verde, que hoje conhecido em todo o mundo graças a sua diáspora, por isso, teria que ter uma política própria, mas mais harmoniosa e inclusiva para a valorização dos emigrantes”, sublinhou.

O médico teve passagem pela Etiópia durante quatro anos a trabalhar em organizações internacionais, já trabalhou no Ruanda, Angola, Guiné-Bissau e Senegal, sobretudo na área “doenças tropicais negligenciadas”, nomeadamente paludismos, SIDA ou cegueira dos rios.

Afirmou ser um “privilégio, como crioulo”, ter tido a oportunidade de “fazer a diferença” na saúde pública, principalmente de mulheres grávidas.

Conforme explicou, há nesses países uma “grande taxa” de mortalidade materna e infantil, tendo tido a oportunidade de distribuir mosquiteiros para impedir entrada de mosquitos, também ‘spray’ contra mosquito, o que fez com que a taxa do paludismo tivesse “baixado muito” por causa dessas intervenções.

Inforpress

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