“Cada domingo era um dia especial para a Banda Municipal na Praça Nova”

22/07/2022 16:00 - Modificado em 22/07/2022 16:00
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António Brito um dos integrantes da Banda Municipal de São Vicente. Na juventude e como elemento da banda, presenciou a dinâmica que o grupo trouxe para a Praça Nova. Os seguidores da banda não perdiam um único show na praça .Banda essa que já teve como regente grandes mestres da música e que traziam sempre um “repertório riquíssimo”,fazendo qualquer um dançar ao som dos instrumentos musicais.

Em 1967, aos 14 anos, António Brito, mais conhecido no meio por “Tony”, lembra que foi aluno de Jorge Monteiro, “Jotamonte”, por quem disse adquirir muito conhecimento sobre a música e que só tem a agradecer.

“Conheci o mestre Nhô Reis (José Alves do Reis), mas meu relacionamento próximo era com o senhor Jorge”, disse.

Tony lembra que antes do regente Nhô Reis, a banda era liderada por um maestro português no tempo colonial e que o grupo já funcionava como uma banda organizada. Os discípulos do Sr. Reis era Jotamonte, Luís Morais, Morgadim, Manuel Clarineto, entre outros.

Domingo era o “dia sagrado” para Praça Nova em que não poderia faltar o concerto, acompanhado de rodas. “Na minha juventude, nós íamos tocar todos os domingos. Mas houve uma altura que começamos a tocar também às quintas-feiras, mas isso não resultou”, contou este antigo elemento da banda que acrescentou que os feriados municipais e nacionais também mereciam atuações do grupo.

Com os ensaios que aconteciam de segunda a sexta-feira, eram também raras as vezes que não havia elementos suficientes. No coreto, lembrou, era impreterível que coubesse nele todos os elementos da banda e fala-se de números entre 20 e 26.

“Tínhamos um público específico que gostava da banda, sobretudo as crianças. Havia a roda à volta do coreto e tínhamos as pessoas adultas que religiosamente eram seguidores da banda”, avançou.

Por causa do hábito de trazer música todos os domingos aos mindelenses no local, uma única ausência seria motivo de deslocar a CMSV para fazer queixas ao responsável, conforme contou Tony Brito. “Existia essa relação muito forte entre a banda, seus seguidores e a praça”, referiu.

Não somente os nacionais, mas também a presença de estrangeiros que estavam de visita a ilha e que não perdiam a oportunidade de ouvir o repertório que trazia vários géneros musicais como coladeiras, marchas, sambas, rumbas, Cumbia, fox que era um género voltado mais para o jazz.

No tempo colonial, o hino português era tocado no fim de cada concerto e todos (adultos, crianças, jovens e idosos) presentes na praça eram obrigados a deixarem os seus afazeres para ouvirem o hino de pé.

As atuações atraíam também “as senhoras de balaio”. “Durante os nossos concertos na praça havia sempre as senhoras do balaio que vendiam sempre rebuçados, pastéis, pão com doce, mancarra”, descreveu este músico que disse ainda que não havia bebidas alcoólicas a circular pelo local.

A gratificação mensal era de 500$00 e era considerado muito naquele tempo. “todos os meses eu entregava os 500$00 ao meu avô que foi responsável pela minha criação. Dava para comprar produtos de primeira necessidade”, contou.

Para Tony Brito foi muito gratificante ser aluno de Jotamonte, regente que produziu muitas mornas. “Aprendi muita coisa na música graças a este senhor que teve esse cuidado de me colocar mais próximo dele”, sublinhou.

Segundo Tony “cada domingo era um dia especial para a banda” e que naquele tempo era um “privilégio” saber tocar um instrumento.

Com a liderança de Isaura Gomes a frente da CMSV, António Brito, Eduardo Monteiro e Agnelo Spencer Lima (Pomba) assumiram a liderança da Banda em 2004. Tony Brito permaneceu na Banda Municipal até ao ano de 2008.

AC

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