EUA investem 1,3 milhões em satélites de defesa contra mísseis

19/07/2022 12:06 - Modificado em 19/07/2022 12:06
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Os Estados Unidos adjudicaram dois contratos no valor de 1,3 mil milhões de euros que permitirão equipar-se com 28 satélites de defesa contra ameaças desde o espaço por mísseis sofisticados, como os hipersônicos da China e da Rússia.

Diretor da Agência de Desenvolvimento Espacial dos Estados Unidos, Derek Tournear, anunciou esta segunda-feira, em conferência de imprensa no Pentágono, que este investimento faz parte da primeira parcela de um projeto para dotar o país de um sistema de alerta e rastreamento de mísseis de última geração.

Os contratos foram concedidos às empresas norte-americanas L3Harris Technologies e Nortrop Grumman, que desenvolverão quatro aviões com 28 satélites, com lançamento previsto para abril de 2025.

Tournear explicou que os satélites, que terão tecnologia infravermelha, serão projetados especificamente para acompanhar lançadores de mísseis e projéteis hipersónicos, para os quais os EUA não tinham até agora um sistema de deteção.

“É importante porque, como se tem visto nos noticiários, os nossos adversários, principalmente a Rússia e a China, desenvolveram e testaram dispositivos voadores hipersónicos”, referiu Tournear, explicando que esse tipo de míssil tem alta capacidade de manobra, ao contrário dos tradicionais.

Nesse sentido, lembrou, a situação no espaço mudou, pois, um ambiente “benigno” passou para outro com inúmeras ameaças.

Anteriormente, os EUA usavam satélites de deteção, que eram mais caros, levavam entre 10 a 15 anos para serem construídos e tinham uma expectativa de vida de 15 anos ou mais, mas agora o país está focado em “projetar um sistema mais resiliente e baseado em proliferação”, acrescentou o responsável.

O objetivo é criar um mecanismo de alerta e rastreamento de mísseis com um primeiro nível de proteção que terá uma constelação de satélites – mais acessíveis e menos duráveis – que voarão a uma altitude de cerca de 1.000 quilómetros, e um segundo, com dispositivos colocados a cerca de 20.000 quilómetros da superfície.

Tournear sublinhou que os mísseis hipersónicos geram atualmente novos desafios, ou seja, são difíceis de detetar devido à sua velocidade e capacidade de manobra, dificultando a previsão de sua trajetória, algo que não acontecia no passado.

Os novos 28 satélites voarão a cerca de 1.000 quilómetros da Terra e terão órbitas polares, ou seja, deslocar-se-ão de norte a sul e vice-versa.

Tournear antecipou que, após o lançamento desses 28 artefactos, outros 54 serão colocados em órbita na segunda fase deste programa, e assim por diante.

O responsável lembrou que se trata de capacidades de Defesa e que paralelamente o país está a desenvolver outras capacidades de ataque no domínio dos mísseis hipersónicos.

Os EUA realizaram testes com este tipo de projétil em março e setembro passado.

O governo dos EUA está a esforçar-se para desenvolver armas hipersónicas, depois da Rússia e da China terem realizado com sucesso testes com este tipo de tecnologia, altamente cobiçada porque a sua velocidade torna este tipo de arma mais difícil de detetar por sistemas antimísseis.

LUSA

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