António Tavares: “Praça Nova precisa ser nova para não ficar velha”

23/06/2022 15:12 - Modificado em 23/06/2022 15:14
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António Tavares, bailarino, coreografo e diretor do Centro Cultural do Mindelo, defende que a dinamização da Praça Nova passa por adotar um pensamento contemporâneo e trazer mais dinâmica ao local e puxar por atividades que ocupam principalmente as crianças.

“Praça Nova é um espaço de memória. Para recuperar este espaço temos que adotar um pensamento contemporâneo”, indicou António Tavares que lembrou dos tempos em que ali havia uma rádio e muitos deslocavam para praça para ouvir rádio.

Para além de ter um papel lúdico, Tavares falou também numa “cultural, de formação de pessoas, de gosto musical e de lazer”. Ponto de encontro e de troca de experiência, “tudo feito sem nenhum pensamento em álcool e/ou tabaco”.

O mesmo lembrou de uma praça também composta por grupos bem organizados e localizados. “Tínhamos maltas central que eram ligadas a Rastafarismo, no lado esquerdo os futebolistas, no direito eram os basquetebolistas, no fundo o andebol, dança”, enumerou.

Após a independência, Praça Nova torna-se “massivamente num centro cultural”, espaço onde viu atuar grandes grupos, como por exemplo de Guine Bissau, Voz de Cabo Verde, Kolá, .

As pessoas faziam de tudo para conseguir assistir as pequenas atuações, mesmo penduradas as árvores. Falou do tempo em que as pessoas compravam pão de trança com doce, mancarra, entre outros. No seu entender havia muita uma dinâmica, mas que atualmente se perdeu.

É neste momento que questiona o que fazer para recuperar essa dinâmica. “Tínhamos que procurar as linhas que existem, como se estivéssemos a procurar uma raiz ou a fazer uma investigação abrindo uma janela para entender e depois adota-lo”, sugeriu.

Questionado sobre a recente infraestrutura que é a tentativa de trazer o Pic-Nic, Tavares falou num projeto “muito mal pensado, sem ideia, sem nada”, ou seja, “uma total aberração”. “Deveria ser construído algo leve, entre madeira e o jardim, de forma a dar o coreto mais força e onde meninos podiam ir dançar”, propôs.   

No tocante a Banda Municipal, este dançarino falou em algo que  está “parado no tempo” e que precisa de mais investimentos tanto a nível de formação como de restruturação, visto que é uma das primeiras de Cabo Verde.

“Os integrantes da  banda  não podem estar a receber uma  “bacatela” ou uma miséria”.

 A Praça Nova poderia ser um ponto de encontro de jovens na literatura, de desgarradas de poesia, de leitura, de DJ’s no coreto para suas apresentações, de happer’s, pintores, de radio ao vivo, é criar também um polo de interesse de cinema. É esta a visão que este homem da cultura tem e partilha para esta praça de memórias

“Temos a fonte que nem água tem, mas que pode ser transformado numa biblioteca para crianças. Quando recuperamos a praça é porque o espaço é valido. A matriz dessa cidade é a conversa então eu colocava bancos na rua”, acrescentou.

Ainda relativamente aos mais pequenos, sugeriu que se três crianças de cada bairro tivessem três  instrumentos (um baixo, um saxofone e um trompete) tocassem na Praça Nova ou pelas ruas da cidade, “algo mudaria”, nomeadamente carnaval, festival da Baia das Gatas, São João, enfim “a musica de Cabo Verde iria mudar”, consequentemente era uma das formas de “manter a criançada ocupada e longe de delinquência juvenil”.   

É neste sentido que afirmou que Praça Nova deveria ser um espaço pensado, refletido, e que “a cultura seria o foco”.

AC – Estagiária

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