Praça Nova: Geração antiga presa na nostalgia e jovens pedem mais dinamismo

17/06/2022 15:51 - Modificado em 17/06/2022 17:26
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Num domingo de junho, no final de tarde, Praça Nova quase “às moscas”. Enquanto que os mais velhos falam do resgate de um passado, onde conviveram com a Banda Municipal e com cinema no Eden Park, os mais novos querem atividades culturais. Todos querem uma praça com mais vida, com mais atração, com dinamismo, com atividades direcionadas para  todas as gerações.

Numa observação que iniciou um pouco depois das 17h, a presença de pessoas quase não se notava. Uma ou outra ocupava as cadeiras da praça. Só quem conhece a praça de outrora sabe a importância que se  lhe atribui e do quanto vale a pena reviver memórias. 

Numa cadeira estavam duas senhoras e um idoso a colocar a conversa em dias e a deliciarem os seus frutos secos. Albertina da Graça fala da sua juventude em que, o pai tinha atitudes rígidas, e uma das punições era negar a ela e suas irmãs umas voltas na Praça Nova. Mas “mesmo assim saímos escondidas”.

“A dinâmica naquele tempo era diferente de hoje e  era mais divertido”, disse a senhora que falou num passado de pessoas mais unidas, na Banda Municipal quase que ausente e no Éden Park que “deixa muita falta”.

Do outro lado da praça, o senhor Manuel Andrade fazia companhia ao seu amigo que veio passear as netas. A sua primeira preocupação, também, é a Banda Municipal “que deveria ser mais incentivada para voltar a tocar com mais vontade”, como era há alguns anos.

“Antigamente tanto crianças como adultos e jovens vinham à praça para seus passeios, fazerem a habitual roda, brincar  “panhada”, entre outros”, lembrou.

Neste dia, a senhora Fátima Lima, que veio de Ribeira Bote, lamentou estar sem a sua amiga que sempre lhe faz companhia aos domingos na praça para colocar a “ conversa em dia”, sobre qualquer coisa.

Fátima Lima, que vem à praça algumas vezes, lembrou que foi uma das pessoas que durante a sua infância não teve acesso a parte de cima da praça porque não tinha calçado. O que lhe veio ainda a mente é que já adulta os filhos já podiam dar as suas voltas na praça, principalmente aos domingos. “Quando eu vinha passear meus filhos aqui tinha muita gente que nem dava para circular mais à vontade”, contou esta senhora que lamentou esta “geração que se prendeu aos ecrãs”.

Os  poucos jovens que ali se encontravam, como Simão Zego, contaram que quase não vem à praça. “Venho muito pouco para a praça. Antes da pandemia havia mais pessoas aqui de segunda a domingo, mas agora quase que não há gente aqui, mesmo aos domingos”, disse.

A Jovem Christie Rosário só lembrou de uma vontade eufórica de vir à praça quando ela e a sua irmã mais nova iriam acompanhadas da mãe, num tempo em que ainda nem havia parquinho. “Hoje estou aqui na praça, mas raramente venho cá”, disse.

Era o único casal jovem na praça. Adérito Cardoso e Joice Ramos quase todos os domingos vêm à Praça Nova passear com a filha, para depois seguirem para o  Parque Infantil , na Praça Nho  Roque . “Gostamos de ir à praça porque a nossa filha pede, porque é também um lugar para descontrair e conversar”, justificou.

Vitória Coronel, mais conhecida por “Toya de Praça”, desde 1981 tem negócio de bar no quiosque, lembrou que o movimento de pessoas era todos os dias, especialmente aos domingos. Com eventos que recentemente foram realizados na praça, Toya de Praça, disse sentir muito feliz, e daí as autoridades ficarem em iniciativas atraem mais pessoas ao local. 

 O que queremos para a praça?

Questionados sobre o que a praça precisa para recuperar a sua dinâmica, as respostas foram várias. Uma das primeiras chamadas de atenção por parte dos mais velhos é precisamente o “resgate da Banda Municipal”, que precisa estar mais vezes a atuar no Coreto da praça e também o renascer do Eden Park.

@ Esquina do Tempo

Falou-se na criação de atividades culturais, que inclui crianças, jovens, adultos e idosos, ou seja, interação entre gerações.

Muitos são de opinião que a Praça Nhô Roque (parquinho) tirou um pouco da dinâmica da Praça Nova, já que as crianças são atraídas para os equipamentos de diversão ali existentes. A situação pandêmica não poderia ficar de fora, quando a covid-19 veio agravar mais a falta de vida na praça. 

Uma outra situação que chamou atenção do casal jovem foi a questão da segurança dos filhos e são de opinião que deveria existir á volta da praça uma espécie de vedação que impedisse crianças de chegarem perto da estrada. E ainda questionam: “Também gostaríamos de saber que infraestrutura é essa que nunca foi terminada?”.

Algo que notamos durante a reportagem é que a praça já não dispõe de pequenos contentores para depositar o lixo resultando do consumo no local.

Recolha de

Arménia Chantre ( estagiária)

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