Cabo Verde investe 1,2 ME em central fotovoltaica para dessalinizar água do mar

2/06/2022 11:31 - Modificado em 2/06/2022 11:32

A unidade dessalinizadora de água do mar em Porto Novo, na ilha cabo-verdiana de Santo Antão, vai passar a ser alimentada por uma central fotovoltaica, num investimento de 1,2 milhão de euros, segundo os promotores do projeto.

De acordo com o Estudo de Impacto de Ambiental desta central, em consulta pública, o projeto da Central Solar Fotovoltaica com Armazenamento, recorrendo a 1.620 módulos fotovoltaicos, numa potência instalada de 729 Quilowatts-hora (kWh), servirá a Águas de Porto Novo (APN), sendo promovido pelas empresas Electra e Águas de Ponta Preta, no âmbito de um acordo de colaboração rubricado em 2018.

A central fotovoltaica, de acordo com o documento, consultado hoje pela Lusa, ocupará uma área de dois hectares em Chã de Bombardeira, a sul da cidade de Porto Novo, e deverá estar concluída no prazo de dez meses, assegurando as necessidades de eletricidade para a central de dessalinização, que produz diariamente 1.000 metros cúbicos de água para abastecimento à população, levando à “redução do custo elétrico na produção de água” na ilha de Santo Antão.

Permitirá, segundo os promotores, a “redução dos custos em energia elétrica no processo de dessalinização de água do mar”, bem como “garantir a sustentabilidade com recursos autóctones naturais, reforçando a transição energética com energias renováveis no nexo energia-água, promovendo a geração distribuída e contribuindo para a redução da importação de combustíveis de origem fóssil e das emissões de gases do ‘efeito estufa’”.

Os combustíveis fosseis garantem atualmente cerca de 80% da eletricidade produzida nas centrais de Cabo Verde, atividade afetada pela escalada do preço dos produtos petrolíferos no mercado internacional desde 2021.

O Governo cabo-verdiano aprovou um plano que prevê a meta de 30% de produção de eletricidade através de fontes renováveis até 2025 e mais de 50% até 2030, face aos atuais cerca de 20%, essencialmente produzida através de parques eólicos.

Por outro lado, o arquipélago enfrenta dificuldades no acesso a água potável, vivendo uma seca severa há mais de três anos, o que levou o Governo a massificar os projetos de dessalinização de água do mar para abastecimento à população e produção agrícola.

Constituída em 2005, a APN é detida pelo Estado de Cabo Verde (10%), Câmara Municipal de Porto Novo (10%) e Águas de Ponta Preta (80%), sendo a primeira parceria público-privada do país para promover uma infraestrutura hidráulica destinada a um serviço básico.

A empresa opera como produtor independente de água dessalinizada e ao fim de mais de 15 anos já forneceu 2,59 hectómetros cúbicos de água potável, afirmando ter transformado a cidade de Porto Novo “num dos núcleos urbanos com maior disponibilidade e acesso de água potável de qualidade”.

Lusa

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