É possível construir barcos de até 30 metros de comprimento em Cabo Verde – Construtor naval

27/05/2022 01:00 - Modificado em 27/05/2022 01:03
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Com maiores recursos, matérias-primas e mão-de-obra, é possível construir barcos, de raiz, em Cabo Verde, garantiu Paulo Delgado, construtor de navios que recentemente entregou uma embarcação de pesca, Flor d´Oliveira fabricado na ilha de São Vicente, no estaleiro naval das Oficinas Navais (ONAVE) para servir a comunidade piscatória de São Pedro, tendo realizado sua viagem inaugural em 21 de Maio.

O local, na zona de Cova de Inglesa, de longe apesar de potencial parece abandonado, a estrutura com parte caída de um dos lados e dentro as embarcações velhas, parece um museu. No entanto ao entrar no local a dinâmica muda.

Contudo dentro do local, ainda existem construtores de pequenas embarcações, como é o exemplo do barco de pesca, Flor d´Oliveira de 21,37 metros de comprimento, 5,40 de largura e 13,70 de altura, revestido de fibra e também o Dénis Silva da zona de Salamansa no ramo de construção naval há 20 anos, contruindo botes e barcos e ainda faz reparações, garante que, embora não paga nenhuma taxa por ocupar o espaço, o “recinto carece de tudo”. 

“Destruíram as oficinas para deixar o lugar desértico e sem as mínimas condições”, critica.

No local, ainda encontramos o “Djodje de Onave” como é conhecido é o único e mais antigo manobrador de navios do local, que por amor à profissão, e também a espera da reforma ainda persiste nos estaleiros.

“Tenho 60 anos de idade, 31 dos quais na ex- Onave. Amo este local, a profissão que exerço. Mas já me sinto cansado, agora só aguardo a reforma”, refere este profissional que confessou em entrevista ao Notícias do Norte, que durante todos esses anos nunca teve férias. “Sempre fui útil aqui”, desabafa.

O trabalho de “Djodje” é orientar as manobras e chefia a subida das embarcações nos estaleiros e trabalha, explicou, mediante a tabela da maré.

Ainda conforme Paulo Delgado, em declarações a Inforpress, Paulo Delgado, as maiores dificuldades prende, primeiro com financiamentos, materiais que por vezes não se encontram no mercado.

Apesar de tudo isso, garante que consegue construir embarcações até 30 metros no país. “Fizemos um barco com modelo nunca foi feito um igual no país. Mas é preciso melhores condições melhor preparados, temos engenheiros, construtores, técnicos. Temos de tudo no país”.

Diz que para não deixar que essa profissão seja esquecida, o governo deveria investir para que os jovens possam aprender esta profissão. “Em cabo Verde o nosso ponto mais forte é o mar e a agricultura. Então os investimentos devem ser feitos neste sentido”.  

Fazendo referência aos desafios do sector, Paulo Delgado identificou que o “maior desafio” da construção naval em Cabo Verde consiste na criação de uma base, uma área específica preparada para as construções, sendo que, ressalvou, o País tem capacidade para desenvolver ainda mais este sector visto que está dotado de engenheiros, construtores e técnicos.

A APESC espera que quando a situação da Onave for resolvida, porque a segurança marítima do sector das pescas inicia na reparação naval e a Onave é fundamental para o sector das pescas em Cabo Verde”, considerou o responsável desta associação, que gere actualmente, através de um protocolo, o estaleiro naval pertencente ao Estado e que foi liquidado em 2005.

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