São Vicente: Antigas trabalhadoras da extinta Cape Verde Clothing pedem indemnização e esclarecimentos sobre a venda da fábrica

16/05/2022 22:07 - Modificado em 16/05/2022 22:07
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Um grupo de antigas trabalhadoras da extinta fábrica Cape Verde Clothing reuniu-se hoje, em São Vicente, para exigir explicações sobre a venda das instalações dessa fábrica e a indemnização que espera há cerca de 18 anos.

Em conferência de imprensa, Bega da Silva e Arlinda Paris, que falaram em nome do grupo, revelaram que o encerramento da empresa aconteceu em 2005. Explicaram que desde essa altura mais de 800 trabalhadores ficaram à espera da indemnização e o Sindicato da Indústria Comércio e Serviços (SICS), que tomou conta do caso na altura, remeteu o caso para o tribunal e mandou-lhes esperar.

“Deram-nos férias e nunca mais voltamos a trabalhar. Queremos que os senhores Virtolino e Zeca do sindicato nos deem uma explicação, porque nos disseram que o caso estava sob a alçada do tribunal e agora soubemos que as instalações foram vendidas”, desabafou Bega da Silva que reclama por uma indemnização pelos seis anos de serviço.

Conforme a antiga operária dessa empresa, apesar de terem trabalhado mais de 800 pessoas na Cape Verde Clothing, nessa altura, apenas cem constavam do processo no tribunal.

“Disseram que o BCA é que tomou conta do espaço e agora queremos saber como é que vai ficar a nossa situação. Meteram um processo com mais de cem pessoas, como é que incluíram que os outros vão ficar”, questionou a mesma fonte.

Na mesma linha, Arlinda Paris, que trabalhou oito anos, contou que a empresa fechou e ficaram a receber o salário pouco a pouco. No entanto, decidiram contactar o sindicato porque a empresa não os contactou mais.

“O sindicato remeteu o processo ao tribunal e a empresa fechou com todos os equipamentos lá dentro. Mas nas instalações continuaram a funcionar e já foram usadas pela associação Simabô, para ser fábrica de papel higiénico para acolher a Nato mas nem o sindicato nem o tribunal nos dizem alguma coisa”, revelou a operária, denunciando que, mesmo tendo sido vetada pelo tribunal, todos equipamentos da fábrica, como máquinas e materiais, foram de lá retirados.

Segundo Arlinda Paris, o próprio sindicato falhou porque “escolheu” algumas trabalhadoras e “excluiu” outras do processo que submeteu ao tribunal, porque foi “colhendo as pessoas” à medida que as encontrava.

“Durante esse tempo ninguém nos disse nada e ficamos na incógnita. Tivemos que refazer as nossas vidas, mas não sabemos o que é que vão fazer com as trabalhadoras. O próprio sindicato acabou por escolher e excluir porque apenas cem pessoas constam do processo”, declarou a operária que revelou ainda que está “entre os excluídos do processo”.

Inforpress

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