São Vicente/Saúde Mental: “Estigma Institucional” é a maior preocupação do médico/psiquiatra Aristides da Luz

16/05/2022 22:19 - Modificado em 17/05/2022 11:33
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O estigma institucional relacionado à doença mental, é para o coordenador do Programa Nacional de Saúde Mental, Aristides da Luz a maior preocupação, uma vez que a integração na sociedade da pessoa portadora de uma doença mental, tem sido deficitária.

“A minha maior preocupação é o estigma institucional, onde a pessoa não consegue trabalho por ter uma doença mental, a pessoa não consegue uma integração no sistema laboral, escola, de lazer”, destacou o psiquiatra que falou, ainda, nas pessoas com doença mental que “não cumprem pena na prisão, no espaço designado para estas pessoas, mas vem cumprir no hospital”, o que a seu ver é muito grave.

Com isso Aristides da Luz falou numa “deficiência na saúde mental” que é a questão de programas de reabilitação psicossocial sobretudo das pessoas portadoras de doença mental crónica.

A título de exemplo, referiu que o Centro de Terapia Ocupacional, sito em Ribeira de Vinha, seria “positivo, viável” se este espaço mesmo fazendo o seu trabalho e integrasse a pessoa num trabalho. O que a seu ver é um trabalho que não está sendo feito e que a inclusão seria algo muito importante a se fazer.

“Porque é a partir dessa integração que se consegue ajudar a família. Não basta dizer à família que o doente é dela e tem que cuidar da pessoa. É preciso também ajudar a família a ajudar o seu doente”, sublinhou.

Pandemia da covid-19 e o seu impacto na saúde mental

“De uma forma geral, o sistema de saúde em relação à saúde mental, dentro das grandes deficiências, deu uma resposta. Talvez se fosse um sistema de saúde com mais recursos poderá ser diferente”, avançou o profissional não descartando o impacto negativo que a pandemia teve na saúde mental de todos.

Sem avançar estatísticas e com base naquilo que tem observado no seu dia a dia, o médico indicou que é visível o aumento de quadros de pessoas com sintomas depressivos e ansiosos, derivado da situação económica, laboral, isolamento, famílias que não conseguiram enterrar seus entes queridos na forma tradicional.

“O que vemos no dia a dia, sobretudo durante o ano de 2021, os casos aumentaram”, lamentou.

São Vicente, um caso peculiar

Para este profissional, São Vicente, do seu ponto de vista, é peculiar em Cabo Verde em termos de prestação de cuidados.

“Temos uma enfermaria de crise de agudos e não um espaço para depositar pessoas. Neste momento, temos um ambulatório no hospital e em todos os centros de saúde da ilha. É o único Centro de Reabilitação Psicossocial que se tem em Cabo Verde”, enfatizou Arestides da Luz.

Construído há 22 anos, o Centro de Reabilitação Psicossocial, conforme o médico, “infelizmente não foi replicado nas outras ilhas, mas está a funcionar com todas as dificuldades que temos”.

Apesar de todo este trabalho, a mesma fonte chama atenção ao problema da “interpretação errada” de que as pessoas portadoras de uma doença mental têm que estar no hospital. Por isso, é de opinião que é preciso eliminar a ideia de que “o hospital é um espaço para depositar as pessoas com doença mental”. 

AC – Estagiária

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