Carnaval de São Vicente – Grupos querem ver refletido no seu Orçamento o retorno que o carnaval dá aos cofres do Estado – Presidente do “Montsú”

15/05/2022 23:24 - Modificado em 16/05/2022 22:07
| Comentários fechados em Carnaval de São Vicente – Grupos querem ver refletido no seu Orçamento o retorno que o carnaval dá aos cofres do Estado – Presidente do “Montsú”

A posição é do presidente do Grêmio Recreativo Escola de Samba Monte Sossego, que assegurou que esta é uma expectativa de todos os grupos de carnaval da ilha de São Vicente. Ver o retorno que o carnaval dá em termos de impostos para os cofres do Estado e que precisa ser refletido diretamente nos grupos.

“Aquilo que é o esforço que todos os dirigentes, que todas as agremiações fazem para ter um desfile de carnaval precisa ter um reflexo mais proporcional”, afirmou Antônio Duarte, popularmente conhecido por “Patxa”, que garantiu que isso não tem sido feito.

O presidente do grupo carnavalesco Monte Sossego, reconheceu que de 2013 até 2020, último carnaval em São Vicente, tem havido uma evolução financeira, e apontou a “coragem do presidente da Câmara Municipal de São Vicente” em apostar no evento, porque acredita este responsável, “tem entendido que os dirigentes têm feito um trabalho abnegado, árduo nesse percurso de crescimento do carnaval”.

E aponta os valores da subvenção de 2013 que era de um milhão de escudos, com um prazo dos desembolsos “muitíssimos apertos”. “A primeira tranche era feita uma semana antes dos desfiles. E a segunda, no fim de semana antes do carnaval”, algo que condicionava muito os grupos, e que neste momento, sublinhou houve o aumento para 2.500 contos, com a primeira transferência a ser feita no final de cada ano. O que “desafoga os grupos”.

“A diferença no orçamento dos grupos de carnaval precisa ser corrigida”

Entretanto apesar desta evolução, que ainda está longe de ser o desejado, afiançou que ainda é preciso amadurecer ainda muita coisa, em termos dos prazos de desembolso e dos montantes.

E explica porque. “Em 2020 o nosso orçamento foi de pouco mais de 10 milhões. O carnaval de 2023 é a volta de 12 milhões de escudos e feitas as contas daquilo que é a subvenção das instituições do Estado, que são três milhões e quinhentos contos (dois milhões e quinhentos da câmara de São Vicente e um milhão do Ministério da Cultura e Indústrias Criativas, MCIC). Ou seja, até chegar aos 12 milhões de escudos temos que conseguir mobilizar patrocínios, cota dos sócios, o efetivo de sócios entre outros”, portanto defende que a diferença no orçamento dos grupos de carnaval precisa ser corrigida.

“O que o carnaval de São Vicente dá em termos de impostos para os cofres do Estado precisa ser refletido diretamente no carnaval”

O que segundo António Duarte era uma manifestação cultural pura, está a sair dessa esfera e a transformar-se num grande produto turístico que se consegue vender.

Logo, defendeu que este passo precisa ser dado. “Vender carnaval através de uma campanha publicitária agressiva no exterior”. E cita o exemplo do carnaval 2016, em que na altura, conforme avançou, houve uma “enorme” movimentação de saques no Vinti4 no fim de semana, de 250 mil contos.

“São valores que precisam ter um reflexo mais expressivo no orçamento dos grupos para permitirem, em primeiro lugar, o desafogo, mas também conseguir alavancar os grupos, conseguir alavancar a qualidade que é necessária imprimir. Ainda estamos numa fase inicial de crescimento. Já crescemos muitos e precisamos crescer ainda mais”, sustentou.

Para que isso aconteça apontou uma série de questões, que no seu entender precisam de maior tratamento, para que a ilha possa ter o crescimento de um produto saudável.

“A Rede Hoteleira precisa contribuir para o desenvolvimento do carnaval”

António Duarte, apontou o dedo à rede hoteleira, que disse que não contribui em nada para o carnaval de São Vicente, mas que ganha com isso. “Com o simples anúncio de que o carnaval vai acontecer em tal data, no momento seguinte temos praticamente todos os hotéis com lotação esgotada”

Neste sentido, explicou que se a rede hoteleira continuar a fazer “braço de ferro”, continuar a ser renitente em apoiar o desfile, os grupos e quem de direito terá que ter mecanismos através de outros meios, como taxa turística tirado em hospedagens pago, por exemplo, refletirem diretamente nos grupos.

Transmissão Televisiva do carnaval de São Vicente

António Duarte defendeu que “a marca carnaval precisa ser valorizada”. “E esta é uma forma de conseguir arrecadar e muito através da rede hoteleira, mas também, concretamente, através do Ministério do Turismo. O Fundo do Turismo tem todas as condições de fazer transferências para equilibrar o orçamento dos grupos, porque não podemos ter subvenção oficial de 3.500 contos e orçamentos de 12.000 contos para fazer o carnaval”.

Este dirigente afirmou, ainda, que o orçamento tem que ser coberto. E que é preciso vender a transmissão da cobertura televisiva. E que isso só poderá ser feito com uma transmissão mais profissional do carnaval.

Avança a LIGOC já tem uma proposta, de forma a passar a ideia daquilo que é necessário fazer para que a transmissão seja agradável, que valorize o produto carnaval e que tenha condições da TCV vender e pagar aos grupos.

Admite que o país não tem um mercado que dê o devido retorno financeiro, mas relembra que na altura da festa do Rei Momo, aumenta grandemente o número de pessoas em São Vicente, e que este reflexo deve passar a ser mais visto no desfile de carnaval. Naquilo que é o esforço que os dirigentes fazem para colocar os grupos na rua.

Vencedor do Carnaval 2020, o Grupo Carnavalesco Monte Sossego vai fazer brevemente a apresentação do seu enredo para o carnaval 2023.

Elvis Carvalho

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2023: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.