PJ pede mais recursos para combater crimes complexos

12/05/2022 00:18 - Modificado em 12/05/2022 00:24
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O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) cabo-verdiana, Ricardo Gonçalves, pediu hoje mais recursos materiais e humanos para enfrentar os crimes complexos e disse que o terrorismo é uma “ameaça séria” à estabilidade e segurança na África Ocidental.

“Com o desenvolvimento económico e social do país, a criminalidade diversificou, tornou-se mais complexa e difusa, podendo pôr em causa o alicerce do nosso Estado de direito democrático, caso não for forte, eficaz e prontamente combatida”, afirmou o diretor da PJ de Cabo Verde.

Na sua intervenção numa conferência para assinalar dos 29 anos da instituição, realizada na Praia, o responsável também disse que a localização estratégica de Cabo Verde chamou a atenção de organizações criminosas, que passaram a utilizar o país como plataforma de tráfico internacional de drogas, provenientes da América Latina e com destino preferencialmente para a Europa Ocidental.

“Ora, estando Cabo Verde inserido na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental [CEDEAO], onde as ameaças de terrorismo são uma realidade incontornável, onde vigora a livre circulação de pessoas entre os Estados, o terrorismo constitui hoje uma ameaça séria à estabilidade e segurança da nossa região”, alertou.

Por isso, disse que para a PJ cumprir com as suas competências e enfrentar as novas ameaças criminais, nomeadamente no que se refere à criminalidade organizada e transnacional e a mais complexa, tem que dispor de recursos materiais e humanos em quantidade e qualidade suficientes.

Em declarações à imprensa no âmbito da conferência, o presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação e Apoio à Investigação Criminal (Asfic), Agostinho Semedo disse que os recursos humanos da PJ não são suficientes para a demanda.

E justificou com a redistribuição dos recursos com a criação de uma unidade de investigação criminal em Assomada e com o funcionamento do departamento da Boa Vista.

“E isto acabou por revelar claramente a deficiência que temos, tanto a nível do pessoal de investigação criminal e também ao nível do corpo de segurança”, enumerou o líder sindical, que vai propor o recrutamento de mais funcionários para esses setores.

Na sua intervenção na abertura da conferência, o diretor da PJ salientou ainda a importância da cooperação policial e judiciária no combate à criminalidade transnacional, salientando que tem de ter um caráter recíproco e mútuo.

Com o tema “29.º Aniversário da Polícia Judiciária — Desafios e Ganhos”, a conferência teve dois painéis, nomeadamente “A Cooperação Policial e Judiciária no Combate à Criminalidade Organizada Transnacional — Uma perspetiva policial com breves passagens pelo papel dos Tribunais e Ministério Público” e “Gestão da Cena do Crime — do quadro preliminar à oficialização da investigação — Papel interventivo da PJ”.

O ato solene para comemorar os 29 anos da PJ de Cabo Verde acontece na quinta-feira, também na cidade da Praia, e vai ser presidido pela ministra da Justiça cabo-verdiana, Joana Rosa.

Lusa

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