São Vicente/Ribeirinha: Moradores apreensivos com a segurança nesta vasta zona da ilha

8/05/2022 20:44 - Modificado em 8/05/2022 20:44
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Viver a várias décadas em Ribeirinha, São Vicente, permitiu aos moradores descrever a zona de uns anos atrás considerada calma, unida, e de boa convivência a qualquer hora. No entanto, com o passar dos anos, vislumbrou-se ondas de violência que colocam em causa a segurança da sua gente.

Ribeirinha, zona mais vasta e mais populosa de São Vicente, conforme residentes que não quiseram se identificar ao Notícias do Norte por questão de segurança, asseguram que já houve tempos tranquilos e sem nenhum receio, mas que agora tudo se resume à insegurança.  

O senhor Severino que desde 2016 vive em Tchetchênia, considera  este bairro o mais problemático de São Vicente por causa da sua “degradação”, que se resume em adolescentes e jovens que desde crianças já começam a enveredar por outros caminhos, através de contactos com drogas, e um dos resultados tem que ver com o mundo do crime.

“A degradação desta zona é de cortar o coração e nós somos obrigados a ficar calados, caso contrário podemos sofrer consequências más, nomeadamente agressão”, lamentou este morador que acrescentou que a realidade é bem ” pior” do que aquilo que as pessoas de fora notam.

 A impressão, segundo Severino, é que “as autoridades não estão interessadas em ter essa perceção”, que infelizmente não têm conseguido responder a esta demanda e que “é basta “observar o que realmente acontece aqui todos os dias”.   

Há 42 anos que a nossa entrevistada, que também não quis identificar-se, vive em Chã de Faneco. Quando jovem lembrou que frequentava boates, ia para festas, para convívios, mas que agora não ousa tais atividades já que Ribeirinha que, antigamente se resumia a um menor número de casas agora agrega-se consigo um vasto local onde se encontra assente um clima de insegurança.   

“Fomos das primeiras famílias a morar aqui nesta zona. Ribeirinha começou a tomar outros rumos com o surgimento gradual do bairro de Tchetchenia”, avançou a moradora que até em falta de segurança também dentro das suas casas, mesmo após a adoção de estratégias de reforço de portas, janelas e fechaduras.  

“Houve tempos que muitas portas de residências eram abertas com chaves de assaltantes. Acho que até já houve tempos piores, mas neste momento todo o cuidado é pouco”, afirmou.

A mesma conta ter presenciado um vizinho a ser assaltado e espancado na frente da sua casa e a única ajuda que podia dar naquele momento foi ter chamado a policia que “nem chegou ao lugar “.Infelizmente não intervimos, porque, automaticamente, seriamos espancados,”, lembrou.

“Esta zona está praticamente acabada, pois não era assim. Antes era muito tranquila, podíamos andar por aqui a qualquer hora. Não tinha muitas casas”, lamentou Nando que desde 1990 é residente nesta localidade. Para este homem de 50 e poucos anos, o bairro de Tchetchênia transformou essa tranquilidade em “insegurança”, para além da circulação de motas com as suas “acrobacias” que colocam em perigo a vida das pessoas.

Desde 1977, o senhor Nelson conta que esta zona era “mais calma, mais unida, eramos mais amigos uns dos outros”, mas as pessoas de “má índole” os podem surpreender a qualquer momento em qualquer lugar.

Outra entrevistada, de 29 anos, notou que há tempos agitados com ondas de assaltos, principalmente em residências e há tempos que quase não se houve falar desses tais acontecimentos.  “Não acho aqui um lugar turbulento, mas há tempos em que muitos saem dos eixos”, indicou. 

Os entrevistados afirmam que em algum momento suas residências foram assaltadas ou pelo menos a tentativa. 

Diante de muitas situações, os residentes de Ribeirinha afirmaram que as autoridades não têm feito o seu trabalho e questionam a utilidade das câmaras de vigilância, já que “responsáveis nunca são pegos”.

É neste sentido que exigem um policiamento mais apertado desta zona durante 24 horas, todos os dias.

AC – Estagiária

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