“Comprar apenas o básico, apertar o cinto e conviver com esta nova realidade em tempos de crise”

6/05/2022 00:37 - Modificado em 6/05/2022 00:37
| Comentários fechados em “Comprar apenas o básico, apertar o cinto e conviver com esta nova realidade em tempos de crise”

Muitas famílias optam por fazer no início de cada mês as suas compras mensais, e de mês para mês, o montante disponibilizado, os que o têm, sai cada vez menos para o que é preciso comprar. E os que não têm rendimentos fixos, vivem daquilo que conseguem no dia a dia, consideram que a situação está cada vez mais insustentável. “É o dilema entre comprar o que mais necessita entre os bens da primeira necessidade”.

Uma situação que ao que parece tem desgastado muitas famílias, face ao aumento dos preços dos combustíveis e dos preços dos alimentos, decorrentes da instabilidade dos mercados internacionais provocada pela Guerra na Ucrânia, e a pandemia da Covid-19.

De acordo com o conselheiro do Departamento Africano do Fundo Monetário Internacional (FMI), Alex Segura, disse hoje à Lusa que o impacto da guerra na Ucrânia é muito negativo, é muito grave, porque os países de baixo rendimento já tinham mecanismos mais limitados para lutar contra a pandemia de covid-19, e tiveram um choque importante, com mecanismos muito menos desenvolvidos do que os países avançados para gerir a pandemia”.

E isto mensalmente tem refletido nos sobretudo nos bolsos daqueles que não tem um emprego e rendimento fixo. O custo de vida está a aumentar, mas o poder de compra dos mais pobres está a diminuir devido ao desemprego e o salário não acompanha a escalada de preços, principalmente os de primeira necessidade. Uma nova realidade que ainda não caiu bem aos cabo-verdianos”.

Nas lojas em São Vicente, o que mais se ouve são reclamações. “O arroz já subiu, óleo nem se fala, leite a mesma coisa, carne, massa, farinha. Tudo subiu. Nada está num bom preço”, reagem os consumidores que dizem, que antes era difícil adquirir muita coisa para a despensa, mas agora, afirmam que está insustentável.

“Trazemos o dinheiro já contado, para escolher o que levar, quanto levar. E o que é mais importante. Entre comprar arroz, feijão e óleo, por exemplo, ou comprar carnes, chouriços ou ovos, preferimos a primeira opção, porque rende mais e conseguimos gerir melhor o que temos”, sublinhou.

 “A situação não permite muitas escolhas. Só aumento de artigos e o salário não sobe. Não é certo tudo isso”, queixou outra dona de casa, com quatro filhos e muitas despesas para pagar, aliás como boa parte dos sanvincentinos, ou melhor cabo-verdianos.

 “Imagina consumir os produtos no preço que estão. Imagina consumir uma garrafa de óleo no preço que se encontra no momento. Quase trezentos escudos”, declarou esta mãe de família.

Em março deste ano, por exemplo, os preços dos produtos importados por Cabo Verde aumentaram 3,1 por cento (%), segundo o Índice de Preços do Comércio Externo do o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo a mesma fonte, o aumento dos preços ocorreu em “todas as categorias de grupo”, indicando a categoria bens e consumo, onde houve um aumento de 3,5%, justificado “pela subida de preços de produtos alimentares primários em 3,3%”. Nos bens intermédios o aumento foi de 1,6%, justificado com a “subida dos preços de produtos transformados para construção a 3,3%”.

Outra categoria que registou este aumento foi a dos bens de capital como consequência da “subida de preços de automóveis para uso particular” e também na categoria dos combustíveis, devido à subida da sua subcategoria combustível.

EC

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2023: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.