UCS diz que Cabo Verde não se revê nas justificativas do RSF  sobre queda em ranking de Liberdade de imprensa

3/05/2022 23:47 - Modificado em 3/05/2022 23:47
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O primeiro-ministro de Cabo Verde Ulisses Correia e Silva admitiu hoje que “uma certa  tensão” entre a imprensa e a justiça possa ter causado a queda do país no ranking da liberdade de imprensa, em nove posições. Desceu da 27.ª para a 36.ª posição,  mas sublinhou que o Governo não se revê em algumas justificativas.

Num comentário divulgado na sua página oficial no Facebook ao `ranking` publicado hoje por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), e que segundo o organismo, que avalia as condições para o exercício do jornalismo em 180 países e territórios, demonstra em 2022 os efeitos desastrosos do caos informacional (um espaço digital globalizado e desregulamentado, que promove informações falsas e propaganda estatal)”, apontando “regimes despóticos que controlam seus meios de comunicação”, “polarização da mídia”, “violações muito graves da liberdade de imprensa”, entre outros pontos.

É neste contexto que Ulisses Correia e Silva, afirmou que Cabo Verde não se revê e por isso disse que “devemos avaliar a nossa posição”, uma vez que, notou, o país continua bem avaliado nos rankings internacionais em relação à democracia.

“Temos criado as condições necessárias para o reforço da liberdade de imprensa, da independência, da objetividade e do pluralismo da comunicação social e dos jornalistas”, disse, afirmando que o país se destaca na região pelo ambiente de trabalho dos jornalistas.

Enumerando vários investimentos feitos nos últimos anos nos órgãos públicos de comunicação social e incentivos aos órgãos privados, o chefe do Governo disse estar comprometido para, até 2026, atingir a categoria de boa no índice da Liberdade de Imprensa.

Cabo Verde obteve 75,37 pontos no índice de 2022, menos do que os 79,91 que tinha no ano passado, e caiu da 27.ª para a 36.ª posição, mas ainda assim “destaca-se na região pelo seu quadro legal para jornalistas”, escrevem os autores do relatório.

“A liberdade de imprensa é garantida pela Constituição. No entanto, o Governo nomeia diretamente os diretores dos `media` estatais, que dominam a paisagem mediática”, alertam.

A RSF sublinha que, ao contrário do que acontece na maioria dos outros países africanos, as mulheres representam 70% dos jornalistas em Cabo Verde.

No entanto, o reduzido tamanho das ilhas do arquipélago limita o desenvolvimento do jornalismo de investigação e, como muitas pessoas se conhecem, os jornalistas evitam muitas vezes pegar em assuntos que envolvam conhecidos seus.

Embora nenhum jornalista tenha sido detido ou colocado sob vigilância devido à sua atividade, alguns profissionais de media privados dizem ter sido ameaçados após a publicação dos seus trabalhos, ainda segundo o mesmo relatório anual.

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