Há 35 anos, “Antuninha” acredita no poder dos chás, apesar da fraca procura de ervas

24/04/2022 22:21 - Modificado em 24/04/2022 22:31
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O consumo de ervas medicinais, que é uma prática centenária em Cabo Verde, enraizada e praticada por todos, continua a ser para Dona Antónia Gomes, uma atividade em que o poder das ervas ainda persiste, apesar da pouca procura neste contexto atípico.  Insistir na venda de “ramed de terra” (remédio de terra) é também uma forma de obter algum rendimento.

Desde a década de 80, perto da rotunda de Ribeirinha está a Dona Antónia Gomes “Antuninha”moradora de Monte Sossego, que a partir das 9h da manhã até as 18h da tarde vende ervas medicinais, principalmente para chás.

Uma tarefa feita ao ar livre em baixo de uma árvore onde está ao alcance da visão de qualquer pessoa que passa pelo passeio ou pela estrada. O cheiro das plantas é sentido por todos que passa pela sua exposição, e que para a vendedeira continua a apreciá-las.

Estas plantas medicinais fresquinhas são produzidas em Santo Antão e transportadas pelos vendedores da ilha das montanhas que 3 vezes por semana vêm descarregar produtos agrícolas no largo ao lado do mercado de Ribeirinha.  Sempre que há, a venda Antónia Gomes vai comprar.

A persistência na venda de ervas medicinais se deve aos resultados que acredita serem também eficientes e que todos os chás têm as suas utilidades especialmente nos pequenos males do dia a dia. Os mais conhecidos e mais usados estão expostos na venda de Dona Antónia.

Alecrim, folhas de eucalipto, erva-doce, palha teixeira, erva cidreira, alfazema, gengibre, arruda, entre outros, são ervas que segundo Antuninha podem curar pequenos males como gripe, prisão de ventre, constipações, diarreia, eliminar a tosse, baixar a febre, entre outros, mas que os chás são também lanches do final de tarde.

“Acredito que os chás têm os seus milagres e que ainda há  aquelas  pessoas que recorrem às ervas”, opina Dona Antónia,  no entanto diz que as vendas têm diminuído muito nesses tempos por causa do contexto atual que tem dificultado o poder de compra dos cabo-verdianos.

Esta senhora diz que compra as ervas ainda verdes, mas por causa da pouca venda o verde perdeu-se, dando lugar a uma aparência seca. Uma fraca procura que tem reflexo naquilo que arrecada das vendas, mesmo apesar de preços acessíveis.

 “Passou quase durante o dia neste lugar, mas as vezes levou para casa 1000 e pouco escudos, quando os preços se situam entre 50 e 100$00”, conta com um certo desanimo, lembrando que antigamente o consumo de ervas era mais frequente.

Apesar de as vezes ter ajuda de um familiar nas vendas, não tem havido grandes ganhos, mas a ideia é continuar mesmo com a sua idade um pouco avançada.

AC – Estagiária

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