São Vicente/Escalada de preços: Comerciantes desanimados e preocupados

11/04/2022 01:32 - Modificado em 11/04/2022 01:32
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Nos últimos meses, o país tem acompanhado com apreensão uma escalada de preço de diversos produtos de primeira necessidade e, os reflexos têm sido sentidos, neste caso em São Vicente. Mercearias e vendedeiras da Praça Estrela e do Mercado Municipal têm recorridos a outras formas de continuarem com as suas vendas, buscando alternativas para diminuírem o impacto da escalada de preços dos produtos, tais como minimizar custos e evitar desperdícios desnecessários. No entanto, o contexto tem sido “desanimador e sufocante” para os comerciantes.

Numa ronda por algumas mercearias, Praça Estrela e Mercado Municipal, em São Vicente, o Notícias do Norte foi saber junto de comerciantes como tem sido as atividades nestes novos tempos.

O óleo que é muito usado na cozinha cabo-verdiana, conforme os entrevistados, o preço está entre 290$00 e 300$00, por litro. Já 1kg de arroz deu um salto de 80 para 130 em algumas lojas, o açúcar que antes custava no mínimo 60$00, hoje os preços se situam entre 100 e 110$00. As alterações podem ainda se arrastar para café, corn bife, leite, entre outros, que de uma forma geral para alguns produtos o preço duplicou, e outros acrescentou-se mais alguns escudos.

No entanto, essa escalada de preços não tem gerado nada positivo para, por exemplo, as mercearias, o que implica mudança de estratégias para evitar encerrar estes espaços comerciais. 

Na zona de Lombo Vermelho, comunidade em Ribeirinha, Gabriela Lima disse que o impacto dos altos preços não afetou muito a sua mercearia, continuando assim a manter a sua clientela.

“A minha margem de lucro continua e ainda não sofri nenhuma consequência com isso. Foi somente uma ligeira diminuição que nem se nota. No início as pessoas mostraram alguma resistência, mas agora já começam a aceitar isso e a comprar”, explica a proprietária.

Denis Lima, na sua loja em Ribeirinha optou por reduzir a compra de produtos no comércio a grosso, já que os preços estão em constantes mudanças.

“Se eu comprar muitos produtos pode ser que depois os preços venham a descer. Tenho comprado o mínimo possível ajustando os preços, não colocando a mais nem a menos. Neste momento, temos que aplicar 15% nos preços dos produtos, mas tenho aplicado somente 10%”, explica Lima, adiantando que diz não sentir as vendas a diminuírem, mas sim as pessoas reclamarem muito dos preços.

Situação que Ariel Cabral tem notado na sua pequena mercearia em Ribeira bote, decidindo assim diminuir o número de vezes ao comércio a grosso. “Antes eu podia deslocar para compra de produtos a grosso 2 ou 1 vez por semana dependendo da saída dos produtos. Agora ao invés de comprar 30 compro 15, e não precisa ser todas as semanas”, conta Ariel Cabral que agora diz priorizar produtos que realmente são de enorme necessidade, mesmo que em poucas quantidades.

Maria Livramento em Fonte Inês disse estar “desanimada” com a escalada de preços que mesmo que as vendas estejam muito fracas, a ideia é continuar a manter a atividade até onde se pode.

Praça Estrela/Mercado Municipal: batata doce, batata comum e abóbora com preços em alta

O sufoco também está patente na atividade das vendedeiras de produtos agrícolas na Praça Estrela e no Mercado Municipal, que afirmam que batata-doce, batata comum e abóbora ,que são alguns dos produtos mais consumidos, estão mais caros.

A Batata-doce que estava entre 170 a 150$00, custa agora 250$00. A abóbora que antes estava a 150$00 custa neste momento 250$, batata comum está com o preço fixado nos 200$00 por cada quilograma, quando anteriormente se podia comprar com preços entre 100$00 e 80$00. Já o tomate e o pimentão que costumam apresentar altos preços neste momento estão mais acessíveis.

Alcídia Ribeiro que desde cedo vende produtos na Praça Estrela disse que este tem sido o momento mais difícil da sua atividade desde 2002. “Durante os mais de 20 anos a vender meus produtos aqui, esse é o tempo mais difícil que já presenciei”, enfatizou.

A vendeira Vera Fortes traz vegetais diretamente de hortas da Ribeira de Calhau, mas, conforme avançou a NN, “infelizmente as vendas diminuíram”, e que todos os seus produtos, como alface, couve, salsa, cebola verde e beterraba, aumentaram para mais 100$00, 200$, 50$00 e 20$ cada um.

Como forma de evitar desperdícios ou de os produtos se estragarem, a vendedeira Gumercina Ramos tem optado pela venda do produto com o mesmo preço do fornecedor.Em relação a abóbora, ela disse que não tem comprado para revender, porque “não há e o pouco que existe está muito caro”.

Devido a situação atual, a vendedeira do Mercado Municipal, Matilde Francisca, acredita que   neste momento,“já não há negócios porque em todos os lugares tudo está caro”, tornando assim a vida dos cabo-verdianos “dura e complicada”.

A mesma tem verificado que nesses últimos tempos as pessoas têm vindo menos vezes ao mercado Municipal.“Este mercado já nem tem fregueses. O mercado está cheio só quando há turistas e a maioria não vem para comprar”, avançou.

Em relação ao queijo, Noemia Ramos, explica que devido ao aumento da ração e da falta de pasto, o preço deste produto está fixado nos 240$00, ou seja, também está caro. Neste momento temos que conseguir aguentar-se com os clientes conquistados, porque se não for assim não se consegue vender nada”, finalizou.

AC – Estagiária

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