Cabo Verde apoiou “centenas de artistas e criadores” com ajudas diretas – Abraão Vicente

6/04/2022 23:39 - Modificado em 6/04/2022 23:39
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O ministro da Cultura cabo-verdiano, Abraão Vicente, afirmou hoje que “centenas de artistas e criadores” receberam apoios estatais de 15 milhões de escudos (quase 140 mil euros), para mitigar as consequências da pandemia de covid-19.

Centenas de artistas e criadores receberam, sim, a fundo perdido valores entre 40 a 100 mil escudos [365 a 910 euros] durante o período mais crítico da covid-19, artistas e criadores que estavam devidamente cadastrados na base de dados do Estado e que puderam comprovar que viviam exclusivamente da sua arte e da sua criação”, afirmou o ministro, no debate sobre o setor da Cultura e do Mar (que também tutela) na Assembleia Nacional.

“Esses incentivos chegaram ao valor de 15 milhões de escudos durante o ano de 2020 e ano de 2021”, acrescentou o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, perante os deputados, na abertura da primeira sessão parlamentar ordinária de Abril.

“Sem desconto de imposto, porque foi uma ajuda direta”, disse, enquanto a oposição recordava que os artistas, devido às restrições impostas pela pandemia, foram os “primeiros a parar e os últimos a retomar”.

O deputado Rui Semedo, presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição desde 2016), contestou a versão do governante, recordando as manifestações públicas dos artistas e criadores, “na música, pintura ou nas letras”, assumindo que “não estavam satisfeitos” com os apoios concedidos na pandemia, depois de Abraão Vicente ter apontado o protagonismo dado na comunicação social local aos artistas que criticam os apoios atribuídos.

“Não podemos considerar que isso não é nada. Não podemos desvalorizar isso e não podemos ir ao ponto de um ministro dizer que a comunicação social dá voz aos que são contra o ministro e não dá voz aos que são favoráveis”, criticou Rui Semedo.

“Quando falamos dos artistas, estamos a falar dos criadores da alma da nação, as criações que perduram no tempo e que se valorizam cada vez mais à medida que o tempo passa (…). Temos que ter um tratamento especial para os criadores da alma da nação. É um investimento que nunca acaba”, acrescentou o líder do PAICV, ao intervir neste debate no parlamento.

Admitindo que “todos” têm de ser apoiados, face ao contexto de dificuldades, Rui Semedo insistiu ser necessário “orientar” esse apoio “para aqueles que criam”, dando como exemplo o percurso da morna, género musical elevado em 2019 a Património Imaterial da Humanidade.

Na sua intervenção, Abraão Vicente acrescentou que nos últimos seis anos — Governo do Movimento para a Democracia (MpD), em que é ministro da Cultura, iniciou há um ano a segunda legislatura –, “através de editais públicos de financiamento” ao setor, foram apoiados “mais de três centenas de projetos em todo o país”, num total de 85 milhões de escudos (780 mil euros).

“Entre eventos, projetos artísticos, festivais, incentivos diretos a artistas, formações no país e no exterior, agendas culturais municipalizadas, entre outros, abrangendo praticamente todas as áreas do setor cultural”, afirmou Abraão Vicente.

“O diferencial foi a transparência, a previsibilidade desses incentivos. Pela primeira vez, os grandes eventos nacionais sabiam de antemão que tinham financiamento garantido”, disse ainda.

Lusa

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