ONAVE continua a ser um museu de oportunidades perdidas de São Vicente

27/01/2022 02:31 - Modificado em 27/01/2022 15:29
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As Oficinas Navais de São Vicente (ONAVE) é um museu das oportunidades perdidas pela Ilha de São Vicente para se tornar um entreposto no Atlântico de modo a servir a marinha mercante  com um estaleiro de reparação naval no atlântico “ . Mas, também se pode realizar um fórum “ Pensar ONAVE” quando virou moda pensar o futuro de São Vicente sem resolver os problemas do passado e muito menos do presente

O NN foi resgatar, uma publicação datada de 1 de junho de 1988, o mensário nº7 do jornal Notícias, publicava a notícia sobre a visita do antigo presidente da República de Cabo Verde, Aristides Pereira, aos Estaleiros Navais da ONAVE em São Vicente. A visita aconteceu num momento em que os trabalhadores enfrentavam graves problemas “devido a situação económica difícil em que se encontrava a empresa”, o que acabava por trazer à tona problemas laborais e a falta de celeridade quanto a modernização do espaço.

A reportagem, na altura, citava Aristides Pereira para mostrar que os estaleiros “ eram um museu das oportunidades perdidas pela Ilha de São Vicente para se tornar um entreposto no Atlântico de modo a servir a marinha mercante com um estaleiro de reparação naval no atlântico

A ONAVE dava emprego a mais de uma centena de trabalhadores cabo-verdianos, e em finais da década de 80 o jornal Noticias descrevia-o o espaço como um “museu de ferro-velho, onde paira o fantasma do colonialismo”

Em meados da década de 90, com a remodelação do espaço, inicia as atividades, nomeadamente carpintaria, fundição de ferro, construção e reparação naval em madeira e fibra de vidro, construções metálicas, comércio de fibras e resinas, oficinas de metalomecânica e produção de elementos para construção civil.

Em Julho de 2009, a Administração Liquidatária da a Ex-Onave E.P. procedeu a desocupação dos Estaleiros Navais da Onave, notificando a todos os utentes que detinham algum bem ou equipamento nos recintos do estaleiro deveriam fazer o levantamento dos objetos, caso contrário, ainda existentes nos recintos, os pertencentes seriam removidos para as lixeiras municipais, conforme notificação divulgada pela comunicação naquele ano.

A desocupação e a demolição do que restava na antiga ONAVE, conforme o avançou Jorge Silva, “Djodje de Onave”, o único e mais antigo manobrador de navios do local, aconteceu em 2010.

Depois de 30 anos, com uma visita efetuada ao antigo ONAVE é obrigatório questionar quando será a recuperação do espaço que hoje vive às ruinas, aos amontoados de lixo e algumas sucatas. Mas, o mais certo é reencontrar a resposta que os repórteres do Noticias guiados pelo primeiro presidente da Republica de Cabo Verde tiveram há mais de 30 anos. “Um museu das oportunidades perdidas pela Ilha de São Vicente para se tornar um entreposto no Atlântico de modo a servir a marinha mercante com um estaleiro de reparação naval no atlântico“. Mas, também se pode realizar um fórum “Pensar ONAVE” quando virou moda pensar o futuro de São Vicente sem resolver os problemas do passado e muito menos do presente.

E Herculano Pires, “Kula” de 60 anos, levanta esse problema ao deparar-se com uma realidade totalmente diferente, quando em 1987 iniciou as suas atividades na ONAVE como “contratado”. O mesmo diz ter acompanhado de perto toda a transformação do espaço que agora se apresenta sugado pelo tempo.  

Herculano Pires, “Kula”

Como mergulhador, “Kula” explica que fazia a manutenção da linha do guincho de arraste que ficava submersa a uma certa distância, pois servia para trazer os barcos ou botes para a terra para os devidos tratos.  

No entanto, em fevereiro de 2019, a APESC (Associação dos Armadores de Pesca de Cabo Verde) assume a gestão do espaço com o objetivo de recuperar a dinâmica das Oficinas Navais de São Vicente (ONAVE), e fazer dos estaleiros uma “referência na reparação naval”.

Herculano Pires que ainda frequenta o espaço e faz vigilância, diz que as ruinas ainda são o espelho de que um dia houve movimentação, dinâmica na antiga ONAVE.

“Atualmente, o que resta são ruínas. Agora cada pessoa vem arrastar um barco para fazer manutenção ou construção de raiz”, observa Kula, adiantando que o recinto precisa de melhores condições físicas para os trabalham no local.

Quem trabalha por conta própria na antiga ONAVE, é Dénis Silva da zona de Salamansa no ramo de construção naval há 20 anos, contruindo botes e barcos e ainda faz reparações, garante que, embora não paga nenhuma taxa por ocupar o espaço, o “recinto carece de tudo”.  

Em conversa com o NN, este construtor naval, refere que neste momento conta com um grupo de 3 trabalhadores que o ajudam na construção das embarcações e de momento tem sob a sua responsabilidade a construção de botes para a ilha do Fogo.

“Destruíram as oficinas para deixar o lugar desértico e sem as mínimas condições.  O lixo aqui é um problema sério aqui e algumas pessoas vem despejar sucatas aqui, ou outros lixos”, indica Dénis Silva que se mostra indignado com esta situação.

Denis Silva

E reconhece que pagar a fatura da eletricidade já é suficiente, já que com as fracas condições do espaço, não há como pagar algo mais.

Contudo, importa lembrar que na 3ª edição do Cabo Verde Ocean Week  em novembro de 2020, foi apresentado o Projeto da Marina Oceânica Monte Cara que vai erguer-se nas antigas instalações da ONAVE.

O projeto foi apresentado por Frank Damar, designer, projetista e representante de promotores belgas no investimento orçado em 36 milhões de euros num prazo de 5 anos.

 AC – estagiária

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