OMS impede embaixador etíope de discursar contra diretor-geral

24/01/2022 16:45 - Modificado em 24/01/2022 16:45
© REUTERS/Denis Balibouse

Em causa estão as divergências entre o governo da Etiópia e Tedros Adhanom Ghebreyesus sobre o conflito no Tigray.

Um dos membros da direção da Organização Mundial de Saúde (OMS) cortou a palavra ao embaixador da Etiópia nas Nações Unidas, quando este estava a tentar criticar o atual diretor-geral da agência por alegadamente apoiar os rebeldes na região do Tigray – uma região onde a guerra civil entre o governo e os rebeldes matou milhares de pessoas.

Segundo a agência Reuters, o embaixador, Zenebe Kebede Korcho, pediu que fosse investigada uma alegada relação entre Tedros Adhanom Ghebreyesus, que além de etíope, é oriundo da região do Tigray, e o financiamento de rebeldes nesta região.

Patrick Amoth, presidente da mesa da Assembleia Geral da OMS, decidiu colocar de parte o pedido por não se enquadrar na discussão e nenhum dos membros da comissão executiva se opôs. Mais tarde, o embaixador da Etiópia tentou novamente fazer um discurso virtual contra o atual diretor-geral da OMS, mas a sua transmissão foi cortada duas vezes.

Isto ocorreu no início de uma reunião que decorrerá durante toda a semana, para discutir a reeleição de Tedros Adhanom Ghebreyesus para um segundo mandato à frente da OMS. Quando concorreu pela primeira vez ao cargo em 2017, Ghebreyesus recebeu o apoio do seu país, mas a relação entre o diretor-geral da OMS e o governo da Etiópia deteriorou-se quando Ghebreyesus alertou para o limitado acesso a cuidados de saúde da população no Tigray.

Zenebe acusou Tedros de usar a sua posição na OMS “contra os interesses da Etiópia” e acrescentou que era o seu “direito soberano fazer uma declaração perante a agência”. Esta não é a primeira vez que o governo da Etiópia critica Tedros. O diretor-geral da OMS já foi ministro da Saúde e dos Negócios Estrangeiros do país, um dos mais pobres do mundo, mas o governo tem-no acusado de espalhar desinformação sobre a guerra.

O conflito no norte da Etiópia já forçou dois milhões de pessoas a fugirem das suas casas e as Nações Unidas alertam para as paupérrimas condições da população de etnia Tigray, devido à prolongada pressão das forças governamentais na região.

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