São Vicente: Agricultores de Ribeira de Calhau voltam a chamar atenção para o desassoreamento dos diques da localidade e confessam perder a confiança no Ministério da Agricultura

21/01/2022 02:04 - Modificado em 21/01/2022 02:04
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Os agricultores de Ribeira de Calhau continuam a insistir na resolução dos problemas relativos à agricultura, num momento em que a falta de chuva traz à tona parcelas de terrenos despidos de verde, dando lugar a árvores e palha secas.

Filinto Brito, proprietário de parcelas agrícolas e antigo presidente Associação Agropecuária de Calhau e Madeira (AAPCM), diz que a degradação de propriedades agrícolas já é bem visível aos olhos de quem passa ou visita a Ribeira de Calhau.

“Ao todo são um pouco mais de 360 poços em Ribeira de Calhau, mas somente 40% contém água em quantidades insuficientes. Em relação às propriedades agrícolas apenas 20% se encontram ativas e mais de 50% se encontram abandonadas por falta de água”, explica Filinto Brito que considera esta situação lamentável.

Este responsável que recentemente deixou o cargo de presidente da AAPCM diz que, mesmo que chova pouco às vezes, a Ribeira de Calhau não apresenta as mínimas condições para a captação da água. Isso porque, a diferença na profundidade dos poços, segundo Brito, é muita. “Neste momento, os poços têm 30 e tal metros de profundidade. Nos anos 60, 70, quando se começou a criar os poços, poderíamos encontrar água até aos 6 ou 7 metros”, relembra.

As duas estufas esqueléticas, corroídas pelo tempo, em Ribeira de Calhau, segundo o nosso interlocutor, nunca dão certo, porque, diz, o vento carregado de poeira e altas temperaturas dificultam a sua permanência, acabando por se degradarem em pouco tempo.

Quem também mostra-se revoltado com a situação é o agricultor Humberto Tanaia que há 10 anos trabalha nas pequenas hortas dos pais todos os dias, de manhã à noite, para conseguir poucas quantidades de couve, coentro, cebola, alface, entre outros produtos.

Questionado sobre como tem conseguido manter a produção, responde que teve que fazer uma pequena manutenção no poço, durante 2 semanas com uma máquina para conseguir um pouco de água.

“Neste momento, a pouca água que existe no poço é insuficiente para mais tempo.  É fazer a rega através do sistema gota a gota”, relatou Tanaia, que acrescenta que, quando chove conseguem ter um pouco mais de água em uma altura de 3 ou 4 metros, “mas é por pouco tempo”.

“Como forma de fazer a limpeza dos diques, no ano passado tivemos connosco uma máquina que o Ministério do Desenvolvimento Rural (MDR) disponibilizou para limpeza dos diques em agosto de 2021, mas até hoje o problema nunca foi resolvido, e os trabalhos concluídos, já que a máquina está sob a responsabilidade da Câmara Municipal”, relembra este agricultor que afirma que, entraram em contacto com o MDR e a CMSV, mas nada foi feito.

 É neste sentido Filinto Brito e Humberto Tanaia, em nome dos agricultores de Ribeira de Calhau, voltam a chamar a atenção do Ministério da Agricultura, e dizem continuar a insistir até que o problema seja resolvido de desassoreamento total dos diques sejam   

As fontes dizem estar à deriva, porque “não temos apoio do ministério da agricultura, não vêm auscultar os agricultores, não há perspetiva de nada”.

“A máquina é dos agricultores e não pode estar na CMSV”, finaliza Tanaia.

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