UCID satisfeita com a retomada de ligações internacionais da Cabo Verde Airlines espera que seja um processo contínuo

18/01/2022 23:39 - Modificado em 18/01/2022 23:39

O presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática, UCID, disse que a retoma das de ligações internacionais da Cabo Verde Airlines, com a rota Mindelo/Lisboa/Mindelo é uma “excelente” notícia para a população cabo-verdiana e espera que seja um processo contínuo e não “para começar agora e animar a malta e para daqui a seis meses a um ano voltarmos a aquilo que nós tínhamos anteriormente”.

Declarações feitas por António Monteiro em entrevista ao Notícias do Norte, que disse ser “inegável” as enormes dificuldades que a ausência dos voos da transportadora de bandeira tem criado à população, por isso considera que este anúncio, dos voos a 03 de fevereiro, do voo semanal entre Lisboa – Mindelo às quintas-feiras e Mindelo -Lisboa às sextas-feiras é uma “notícia excelente”.

“Esta é uma excelente notícia, até porque é uma luta que, nós, os deputados da UCID vínhamos travando no Parlamento há vários anos, e por incrível que pareça, este governo do MPD, sempre dizia que não tinham a responsabilidade em definir as rotas, mas agora, ao assumir de forma clara o Cabo Verde Airlines, a atual administração ao anunciar as rotas Mindelo/Lisboa/Mindelo só temos que dizer muito obrigado, um bem-haja”, enfatizou.

Por outro lado, espera que não seja uma jogada para “animar a malta” e que seja de forma definitiva. “Não para começar agora e animar a malta e daqui a seis, nove meses a um ano voltarmos a aquilo que nós tínhamos anteriormente”, realçou.

De realçar que desde de setembro de 2017, que no âmbito do processo da privatização da companhia, as ligações diretas para São Vicente foram encerradas.

Com esta retoma das ligações internacionais diretas para São Vicente, a UCID volta a apontar o dedo a uma velha questão, o preço do combustível Jet A1 para aviões, que custa mais do dobro, em S. Vicente, que o preço nas outras ilhas.

“Queremos que estes voos façam escola nesta ilha e neste país, mas chamamos a atenção para um outro aspecto, que é o custo do Jet A1, o combustível para aviões que em São Vicente é o dobro dos outros aeroportos”, referiu.

Neste sentido, diz que tendo esta disponibilidade para os voos, “gostaríamos também, que o governo analisasse com as petrolíferas a possibilidade do combustível ter mesmo custo para São Vicente, parque que o Aeroporto Internacional Cesária Évora possa ser mais competitivo ou, com a mesma competitividade com os restantes aeroportos do país” salientou.

Questionado sobre esta discrepância, António Monteiro diz não saber o motivo disso e sempre que “levantamos esta questão no Parlamento, o Governo quando não tem vontade de resolver o assunto atira a responsabilidade para outras pessoas”.

E neste caso, sustentou António Monteiro, o executivo atirou as responsabilidades às petrolíferas e também para a agência reguladora, ARME, dizendo que o governo não tem nada a ver com isso.

“Não é o governo que regula os preços. O jet A1 não é regulável é um produto que não está sobre o controlo da ARME, portanto, mesmo que as companhias queiram praticar esse valor, o dobro dos outros aeroportos, o governo tem sempre mecanismos, ferramentas para lidar com essa situação e portanto estabelecer em todo o país o mesmo custo de Jet A1, dando São Vicente, também, uma oportunidade de ser competitiva”, frisou.

Para o líder da UCID é necessário criar as condições pata que os aviões possam abastecer em São Vicente, para fazer voos para outras partes do mundo ou outras partes de Cabo Verde.

“Um avião que vem da Praia para São Nicolau, se tiver possibilidade de abastecer em São Vicente com o mesmo preço das restantes ilhas, como Praia Sal, Boavista, vai ter maior capacidade de carga e tudo isso viabiliza a economia do país”.

“Entretanto, o governo, infelizmente, não o vê neste sentido, por isso com a ligação para Lisboa, queremos que o governo fale com as petrolíferas, para que possamos ter o combustível no mesmo valor”.

Esperança da Cabo Verde Airlines voltar a voar dentro do País

Esta seria, conforme António Monteiro bastante interessante. “Ter a Cabo Verde Airlines a voar dentro do país, seria interessante para termos uma concorrência leal. É só ver o preço dos bilhetes. O preço do bilhete de São Vicente/Praia é de 25 mil escudos, ida e volta, um valor inconcebível, portanto uma companhia para estabelecer uma certa concorrência e evitar que haja um certo exagero deste tipo”.

Em março de 2019, o Estado de Cabo Verde vendeu 51% da TACV por 1,3 milhão de euros à Lofleidir Cabo Verde, empresa detida em 70% pela Loftleidir Icelandic EHF (grupo Icelandair, que ficou com 36% da Cabo Verde Airlines — nome comercial da companhia) e em 30% por empresários islandeses com experiência no setor da aviação (que assumiram os restantes 15% da quota de 51% privatizada).

O Estado cabo-verdiano assumiu em 06 de julho a posição de 51% na TACV, alegando vários incumprimentos na gestão e dissolvendo de imediato os corpos sociais.

Em 26 de novembro, a Loftleidir Cabo Verde anunciou que deu início a um processo arbitral contra o Estado cabo-verdiano alegando “violação dos acordos celebrados entre as partes”, face à re-nacionalização da companhia aérea de bandeira TACV.

Elvis Carvalho

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