São Vicente: Ministério da Cultura e LIGOC juntos na transformação do carnaval como maior produto turístico

15/01/2022 16:32 - Modificado em 15/01/2022 16:32

O financiamento do Carnaval de São Vicente por parte do Governo, apesar da decisão de suspender todas as festas e desfiles devido à pandemia de Covid-19 é uma decisão que a Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval de São Vicente – LIGOC SV, aplaude e destaca, tendo em conta “as fragilidades” do cancelamento nestes dois últimos anos.

Em declarações à imprensa após um encontro com o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, e representante do Mandinga Ribeira Bote, o presidente da LIGOC, Marco Bento anunciou que os grupos continuam a trabalhar para a realização do carnaval, agora, em 2023 e que parte da verba vai ser disponibilizada aos fazedores do carnaval.

Marco Bento anunciou ainda que a liga está a trabalhar uma série de workshops, não só para os grupos, mas também para a população. “Para que a população entenda de como está a funcionar o carnaval desde de 2018, altura que sofreu algumas alterações”, refere.

Ademais, tendo em conta a grande movimentação econômica a volta desta manifestação Cultural, o representante dos grupos da ilha, considera que o carnaval do Mindelo precisa de um Plano Estratégico, para os próximos cinco anos. “Esse plano estratégico inclui a tal sustentabilidade que queremos para o carnaval. Queremos mostrar à população, o carnaval como uma indústria e que pode ser sustentável”, frisou Marco Bento.

Para isso, o Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, garantiu que vão propor às duas organizações internacionais, que já estão identificadas, a realização deste estudo, no sentido de garantir a sua sustentabilidade.

“São Vicente tem esta forte valência cultural que é alavancada na indústria do carnaval. Por isso queremos perceber como enquadrar o financiamento e a sustentabilidade do carnaval dentro dos projectos macro que estão a ser realizados no Mindelo”, referiu o ministro que cita a criação do Terminal de Cruzeiros, a passagem do Ocean Race, que propõe a criação de um calendário para o carnaval para que os grupos possam ter um rendimento ao longo do ano. “Fazer com que tenham uma agenda de desfiles e tenham uma proporção de rendimentos ao longo do ano”, sustentou.

Por seu lado o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, garantiu este sábado, 15 de janeiro, após encontro com a Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval de São Vicente – LIGOC SV e representante do Mandinga Ribeira Bote, que tendo em conta a paragem de dois anos, decidiu transferir ainda neste trimestre, uma primeira transferência de parte da verba para financiamento do carnaval.

“Pelo facto de estarmos há dois anos sem o carnaval, e com a fragilização da classe dos carnavalescos e dos que fazem e vivem do carnaval, vamos fazer uma primeira transferência de cerca de 500 mil escudos, aos grupos formais do carnaval, para a gestão e mitigação das dificuldades que agentes passam”, um valor, que conforme o ministro Abraão Vicente, não no sentido de compensar, mas no sentido de fomentar ou ajudar estes agentes a criarem mais rendimentos a partir desta verba inicial.

E que essa parte social vai se estender a todos quantos estão na indústria do carnaval.

A declaração conjunta entre estas três entidades configura, segundo o ministro, visa mostrar que está-se a construir soluções para a manutenção do carnaval como indústria e como maior evento de entretenimento popular que se realiza em Cabo Verde.

“Juntamente com as festas juninas, o Carnaval é com certeza a festa que mais arrasta o povo e a multidão em Cabo Verde, principalmente em São Vicente”, sustenta.

Sobre a realização do Fórum carnaval em São Vicente, Abraão Vicente, garantiu que logo que a pandemia der sinal de abrandamento, vai ser anunciada uma data para a sua realização ainda este ano.

Para este governante, o carnaval do Mindelo está obrigado a dar o salto, e que este estudo estratégico deverá dar uma ideia de “quanto deve render cada escudo investido no carnaval”.

“Temos que começar a transferir para o carnaval de São Vicente a justa quantia comparativamente àquilo que rende. Mobilizar a sociedade privada para um patrocínio mais significativo”, realçou o ministro que aponta como os maiores beneficiários económicos do carnaval do Mindelo, a hotelaria, a restauração, e o tecido empresarial.

Quando milhares de pessoas vêm assistir ao carnaval, não são os grupos, os maiores beneficiários. Enquanto não houver o impacto de retorno nos grupos, temos uma organização que recebe muito menos do que aquilo que investe no carnaval”, lamentou.

Logo assume que é preciso valorizar cada manifestação cultural lá onde ela tem raízes para crescer e se transformar num movimento econômico. “Vamos continuar a investir mais no carnaval de Mindelo de forma a cimentar a sua posição como a cidade do carnaval em Cabo Verde”, afirmou

O carnaval do Mindelo vai ser financiado pelo plano operacional do Turismo, neste sentido, o ministro da Cultura considera que é preciso trabalhar o evento, como um roteiro turístico. “Formatar a data original para a realização dos desfiles, e também agendar para que possam ter atividades e desfiles ao longo do ano”.

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