São Vicente: insuficiência de leite de cabra dificulta a produção de queijo na UTAGA de Ribeira de Calhau

14/01/2022 00:47 - Modificado em 14/01/2022 00:47
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A Unidade de Transformação Agro-Alimentar ( UTAGA) de Ribeira de Calhau, São Vicente, mostra-se preocupada com a baixa produção de queijo, devido à falta de leite suficiente, situação que tem colocado em risco o funcionamento da unidade.  Diminuição do número de colaboradoras, salários baixos, falta de apoio e desistência de alguns fornecedores de leite (criadores de gado), são as principais razões.   

A responsável substituta da UTAGA, Ana Silveira em conversa com o Notícias do Norte explicou a real situação da unidade, que conforme a nossa  entrevistada, a produção de queijo é muito diminuta e complicada neste momento, e que a falta de chuva tem dificultado o fornecimento de leite.

“Como se sabe a falta de chuva provoca a falta de pasto. E quando assim é, há pouco leite para a produção de mais queijos”, explica Ana Silveira que adianta que o número de fornecedores de leite de cabra, que são os criadores de gado, diminuiu consideravelmente, passando de 10, que forneciam 10 a 15 litros de leite, para 2 que agora só podem vender 20 litros.

“Anteriormente, se conseguia 80 a 100l de leite. Hoje já podemos contar com somente 20 litros e muitas vezes nem se consegue chegar a esta quantidade”, lamenta esta responsável.

Mesmo assim, Silveira aponta que a quantidade de leite é insuficiente, e consequentemente, a produção de queijo é muito baixa, quando feito os cálculos, com 5 litros de leite se produz 12 a 13 queijos.

Sobre o motivo da diminuição de fornecedores, Ana Silveira diz que, muitos criadores tiveram que vender ou desfazer de parte dos seus animais por falta de pasto e pelo preço da ração que está em alta.

Com isso, houve a necessidade de reduzir o número de funcionárias, ou seja, de 9 para 4 e com salários reduzidos, conforme explica a fonte. Sem contar que, neste momento, salienta, duas colegas se encontram em licença de parto, e logo a produção é assegurada por duas colaboradoras.

“Pensamos em dias melhores, mas mesmo com 4 colaboradoras a situação é muito difícil”, confessa Silveira que acrescenta que, estão a tentar manter o espaço a funcionar para evitar o seu encerramento, já que ainda continuam a ter alguns pedidos.

Diante destes constrangimentos, a mesma reconhece que a UTAGA já teve dias melhores e que recebiam apoio de algumas instituições, mas agora “estamos a seguir com os nossos próprios pés”.

Para além de queijo, a unidade produzia anteriormente picles, chás, temperos secos (desidratados) e pastas diversas, nomeadamente de berinjela, coentro, cenoura, pimentão e alho.

Depois decidiu-se somente pelo queijo e doce de papaia, mas agora já “não temos alternativa”, pois o foco é produzir somente uma menor quantidade de queijo “até onde conseguimos”.

AC – Estagiária 

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