São Vicente: Sem Carnaval, operadores turísticos apontam efeitos negativos à vida económica

13/01/2022 01:24 - Modificado em 13/01/2022 14:16
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Os operadores turísticos na ilha de São Vicente dizem que o cancelamento do carnaval terá um impacto negativo na vida económica da ilha, tendo em conta que a festa do rei momo tem a sua maior expressão na ilha do Monte Cara.

Pelo segundo ano consecutivo, Cabo Verde não vai realizar qualquer evento de carnaval devido à pandemia de Covid-19, conforme decisão do governo que justificou a medida com o “aumento exponencial” dos casos de covid-19 nas últimas semanas.

Em declarações à imprensa, o operador turístico, Alexandre Novais, entende que o governo precipitou-se ao cancelar o carnaval deste ano, alegando que em São Vicente, vive-se um carnaval diferente das outras ilhas e que acontece em dois momentos.

“O carnaval em São Vicente é muito mais do que os desfiles e os grupos. Penso sim, que não há condições de se fazer o desfile, no sentido que não há condições para ensaiar e porque já deviam estar a fazê-lo. Isto deve ser uma decisão concertada entre o governo e a Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval de São Vicente (LIGOC-SV), e diz-se que não fazemos isso. O Carnaval também é o desfile dos professores, dos alunos do ensino básico e das crianças dos jardins. Penso que, como foi feito para o Ame (Atlantic Music Expo) e o Kriol Jazz, dizer que vamos suspender os ensaios porque não há condições, mas a festa do Rei Momo e a cultura popular à volta do Carnaval deixar e esperar pela evolução. Por dois meses, sabemos que é muito. Como podemos voltar a zero casos, como podemos estar numa situação calamitosa” explicou o operador turístico, Alexandre Novais, citado pela RFI.

Na mesma linha, o também empresário Yanick Gomes afirma que o cancelamento do carnaval vai ter impacto negativo e é trágico para economia de São Vicente. “O Carnaval é o que mais movimenta o setor económico nesta ilha, porque não é só o dia dos desfiles, há toda a preparação à volta do evento, que passa pelos trabalhos nos estaleiros, os projetistas dos carros alegóricos, das fantasias e dos adereços. Há muita gente por traz do evento que é Carnaval. Esse corte é trágico porque seria o momento alto para a economia” disse Yanick Gomes

Já a empresária Giselle Silva disse que “não ter os eventos que marcam o Carnaval vai afetar drasticamente a economia e a covid já está a afectar, mas estávamos todos esperançosos que este fosse o período que pudéssemos respirar um pouco, agora vamos ter que ser criativos para ver outras opções de trabalho”

O ministro da Cultura e Indústrias Criativas, Abraão Vicente garante que o cancelamento do carnaval foi concertado com a Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval de São Vicente.

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