São Vicente: Creches e jardins infantis desejam sair do sufoco financeiro, quando se viu o numero de crianças a cair para metade e os gastos a aumentarem

13/01/2022 00:43 - Modificado em 13/01/2022 00:43

Em São Vicente, o medo e o receio dos pais provocaram muitas desistências e alguns jardins infantis e creches foram obrigados a fazer investimentos nos seus espaços, de modo a respeitarem as regras impostas pelas autoridades sanitárias. Decisões que levaram a despedimentos e a aceitar um número limitado de crianças. Manter o funcionamento desses espaços e as funcionárias é ainda um desafio, mas para muitos o pior já passou.

O Notícias do Norte fez uma ronda por algumas creches e jardins infantis da ilha para saber a real situação enfrentada e as reações dos seus responsáveis.

Conforme a responsável Neusa Gonçalves do Jardim Infantil Bom Pastor, localizado em Fonte Inês, o pior foi no início da pandemia, e que, neste momento,“ultrapassamos todos os obstáculos que podíamos encontrar”.

Enquanto alguns já conseguiram ultrapassar as dificuldades, outros continuam a sublinhar que as atividades se têm desenvolvido, ainda com uma série de obstáculos, como é o caso do Jardim e creche Bambi, também em Fonte Inês, sob a responsabilidade de Carla Delgado.

“Temos tido muitas dificuldades, mas estamos a cumprir com todas as regras”, sublinha a gestora Carla Delgado.

Uma situação bastante difícil são os casos dos jardins infantis e creches Flores de Santo António e São Francisco de Assis coordenados pela mesma responsável, Eugénia Lima, que acredita que melhores dias virão, desde que as pessoas continuem a primar pela prevenção.

Eugénia aponta que, no início da pandemia, muitas matrículas foram suspensas, mas que aos poucos “estamos a recuperar o número de crianças, mesmo estando ainda nesta situação de pandemia”. 

A mesma situação é partilhada por Gisela Tavares, coordenadora do Jardim Infantil Girassol, situado em Madeiralzinho, que conta que durante 6 meses o espaço esteve encerrado em 2020 e foi retomado em setembro do mesmo ano.

Redução do número de crianças e funcionários gera problemas financeiros

Segundo explica Neusa Tavares do Bom Pastor, antes da pandemia, o número de crianças oscilava entre 250 e 270. “Mas nos primeiros meses da pandemia tivemos que reduzir para metade”, explana Tavares, que adianta que, neste ano estão com um máximo de 230 crianças, “o que é muito bom”.

No entanto, o pouco número de crianças, diz, tinha como solução despedimento de algumas funcionárias, o que não acabou por acontecer e que foi necessário um esforço coletivo para manter os postos de trabalho, pagar ainda algumas despesas e evitar engordar a lista de desempregados provocada pela pandemia.

No jardim Bambi continuou-se a manter as mesmas colaboradoras mesmo com muitas dificuldades, mas o número de crianças também caiu para metade, conforme a responsável Carla Delgado.

Em relação às funcionárias do jardim Girassol, Gisela Tavares conta que, metade teve que ser despedida, mas que neste momento tudo retomou a normalidade. “No início ficamos fechados cerca de 6 meses e quando retomamos o número de crianças foi para menos de metade”, lamenta Gisela que indica que, anteriormente havia turmas com 20 crianças, mas o número desceu para 10 ou menos.

Uma situação um pouco diferente é dos Jardins e creches de Flores de Santo António e São Francisco de Assis, coordenados por Eugénia Lima que diz que, a diminuição do número de crianças foi “drástica”e foram forçados a improvisar mais salas para respeitar o distanciamento social, o que acarretou a necessidade de aumentar o número de educadoras, mas com os salários a diminuírem.

São situações que estes responsáveis consideram ter impacto negativo nas finanças destas instituições, quando é obrigatório estarem munidos de materiais de higienização, proteção, entre outros.

Casos de covid-19, com ênfase em crianças que tiveram contacto com acusados positivo

Segundo as coordenadoras, os casos de covid-19 centraram-se, principalmente , em crianças, com um caso detectado em uma funcionária de um dos jardins.

Todas essas instituições consideram que têm adotado todas as medidas de prevenção para o bem das crianças, como forma de as proteger e assumir a responsabilidade confiada aos pais.

No entanto, as gestoras das creches e jardins infantis têm apelado e insistidas constantemente na não permanência de pais ou encarregados de educação no interior desses espaços direcionados somente às crianças. Tudo isso, conforme Carla Delgado, é uma forma de evitar contaminações e tomadas desnecessárias de decisões.

Carla chama atenção pela falta de comunicação quando não são informados sobre casos de covid-19 num familiar que convive na mesma casa de uma criança que frequenta a instituição.

Arménia Chantre – Estagiária

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