PAICV diz que à retoma dos voos da TACV encontra-se envolto em “grande intransparência e cheio de incertezas”

30/12/2021 16:57 - Modificado em 30/12/2021 16:57

O secretário-geral do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), Julião Varela, garantiu hoje que à retoma dos voos da TACV encontra-se alegadamente envolto em “grande intransparência” e “pouco ponderada sem acautelar os interesses nacionais”.

Julião Varela fez este anúncio hoje em conferência de imprensa realizada na cidade da Praia, onde começou por dizer que foi “sem grandes surpresas”, que apareceu nos céus de Cabo Verde, para depois poisar no aeroporto Nelson Mandela, na Praia, um avião ao serviço da extinta TACV, “que ressurgiu das cinzas do que nos foi deixado pela desajustada e inconsistente parceria com a Icelandair”.

A mesma fonte realçou que o PAICV, à semelhança de outras opiniões já manifestadas, “saúda este ressuscitar dos TACV” para, de novo, nos ligar ao mundo e minimizar os custos de um monopólio suportado pelos bolsos dos cabo-verdianos.

Segundo Varela, informações trazidas a público os TACV começaram a voar sem avião, recorrendo a um aluguer no sistema Wet leasing o que significa que, mais uma vez, pelo menos nesta fase, vamos ter um avião a voar sem a tripulação nacional afetos à empresa de bandeira.

“Depois das peripécias em torno dos negócios nebulosos e atentatórios aos interesses nacionais, feitos com a Icelandair, o mínimo que se exige é que se faça um novo recomeço com base na transparência e que todas as informações sejam disponibilizadas aos contribuintes nacionais” indagou.

Neste sentido, afirmou que os cabo-verdianos precisam ter garantias em como os seus recursos não serão, mais uma vez, “disparatados por uma decisão pouco ponderada sem se acautelar os interesses nacionais”.

“É bom que esta decisão tenha efeitos imediatos nos custos de bilhetes, mas todos precisam saber claramente quais os planos futuros, que custos irão ser assumidos e para quando as soluções duradoiras e estáveis para os destinos onde reside a maioria da diáspora cabo-verdiana” afirmou.

Entretanto, Varela vincou que a pergunta que paira no ar é porquê que só agora se recorreu a esta saída de wet leasing deixando o país por mais de um ano sem saída e obrigando os cabo-verdianos a suportar todas as dificuldades para viajar, de regresso e para fora, com custos elevadíssimos.

“O Governo tem que garantir-nos a todos que não estamos perante mais uma aventura, como das outras vezes, com soluções avulsas sem consistência e rodeada de incertezas”.

Segundo a mesma fonte, o Governo deve também aproveitar esta oportunidade para esclarecer a opinião pública o que é feito do avião arrestado na sequência do “escandaloso e falhado negócio da privatização dos TACV em que Cabo Verde não recebeu nem um centavo e os Cabo-Verdianos” são hoje chamados a suportar milhões em avales e garantias concedidos a Icelandair, hoje assumidos pelo erário publico depois da reversão, para o Estado, dos 51% da empresa que pregou calote ao Governo.

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